Governo vai negociar com a China para mitigar impactos da taxação da carne, cotas e sobretaxas que podem reduzir receitas do setor a partir de 2026
Plano do governo prevê diálogo bilateral e no âmbito da OMC para tentar reduzir efeitos da taxação da carne, incluindo negociação de cotas, transferências e medidas de defesa do setor
O governo federal informou que vai dialogar com a China para tentar mitigar os efeitos das novas medidas chinesas sobre a importação de carne bovina.
A medida de Pequim cria cotas anuais e sobretaxas, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026, e tem validade prevista de três anos.
O Executivo diz estar atuando de forma coordenada com o setor privado, e pretende tratar o tema tanto no plano bilateral quanto no âmbito da OMC, conforme informação divulgada pelo g1.
Detalhes da medida chinesa e cifras que afetam o Brasil
A China definiu uma cota global de importação de carne bovina de 2,7 milhões de toneladas para 2026, com aumento gradual nos anos seguintes.
Na divisão por países, o Brasil terá uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas, enquanto as exportações brasileiras que ultrapassarem esse volume estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
A taxação também prevê cobrança de uma taxa de 12% sobre as importações dentro da cota, e a China justificou a medida apontando prejuízos à indústria doméstica em razão do aumento das compras externas.
Impacto para exportadores e produtores brasileiros
A China foi responsável por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, até novembro representando 48% do volume exportado e 49,9% do faturamento do setor, o equivalente a US$ 8,08 bilhões, conforme dados citados pelas entidades do setor.
O volume que o Brasil exportou para a China até novembro de 2025, foi de 1,52 milhão de toneladas, número superior à cota inicial atribuída para 2026.
Entidades avaliam que haverá necessidade de ajustes em toda a cadeia produtiva, e a Associação Brasileira de Frigoríficos estimou que a decisão pode resultar em perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026.
Resposta do governo e alternativas em negociação
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, declarou que, de forma geral, a decisão chinesa “não é algo tão preocupante”, pois o Brasil exporta um volume próximo ao da cota definida e tem buscado abrir novos mercados.
Segundo o governo, as negociações com a China incluem a possibilidade de transferência de cotas não utilizadas por outros países, e a atuação ocorrerá tanto bilateralmente quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio.
O comunicado oficial ressalta, ainda, que “As medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da OMC e aplicados às importações de todas as origens”, e que o objetivo é reduzir o impacto da decisão e defender os interesses de trabalhadores e produtores do setor.
O que pode mudar para o setor e próximos passos
Produtores e frigoríficos terão de ajustar planejamento de produção e logística, e o governo e o setor privado dizem trabalhar em conjunto para buscar alternativas comerciais e reduzir riscos.
Entre as expectativas de diversificação, está a ampliação de vendas para mercados como o Japão a partir de 2026, ao mesmo tempo em que Brasília avalia mecanismos jurídicos e diplomáticos para mitigar os efeitos da taxação da carne.
As discussões com a China e eventuais ações na OMC devem definir os próximos passos nas próximas semanas, e o setor acompanha o desenrolar das tratativas com atenção, conforme informação divulgada pelo g1.