quinta-feira, junho 4, 2026

Governo vai negociar com China para mitigar taxação da carne, buscar transferência de cotas e atuação na OMC, afirma ministro Carlos Fávaro

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Governo anuncia diálogo bilateral e em encontro na OMC sobre a taxação da carne, após China criar cotas e sobretaxas a partir de 1º de janeiro de 2026, com validade de três anos

O governo federal informou que vai dialogar com a China para tentar mitigar os efeitos da taxação da carne anunciada por Pequim, com cotas e sobretaxas que começam em 1º de janeiro de 2026.

Segundo o Executivo, a atuação será coordenada com o setor privado e envolverá negociações tanto no plano bilateral quanto em instâncias multilaterais, incluindo a Organização Mundial do Comércio.

O anúncio oficial e os detalhes sobre cotas e tarifas foram divulgados pelo governo chinês e repercutidos pelas autoridades brasileiras nesta quarta-feira, conforme informação divulgada pelo g1.

O que muda com a medida chinesa

A China instituiu medidas de salvaguarda para a importação de carne bovina, com vigência prevista de três anos, que combinam limites de volume e cobrança de tarifas.

Para 2026, a cota global definida pela China é de 2,7 milhões de toneladas, com aumento gradual nos anos seguintes, e, na divisão por países, o Brasil terá a maior cota, de 1,1 milhão de toneladas.

De acordo com entidades citadas, haverá cobrança de uma taxa de 12% sobre as importações dentro da cota e de uma sobretaxa de 55% sobre o que exceder o limite. As medidas entram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terão validade de três anos.

O governo brasileiro observou que, em nota, “As medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da OMC e aplicados às importações de todas as origens“, reafirmando a via institucional para tratar do assunto.

Impacto esperado para o setor no Brasil

A China foi responsável por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, sendo destino de 48% do volume e respondendo por 49,9% do faturamento do setor, o equivalente a US$ 8,08 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.

O volume que o Brasil exportou à China em 2025 até novembro foi de 1,52 milhão de toneladas, acima da cota prevista para 2026, o que indica possíveis ajustes nos embarques e na receita do setor.

Entidades alertam para impactos ao longo da cadeia produtiva. A Associação Brasileira de Frigoríficos, Abrafrigo, estimou que a decisão pode resultar em perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026.

Como o governo pretende agir

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, avaliou que, de forma geral, a decisão chinesa “não é algo tão preocupante“, porque o país já exporta um volume próximo ao da cota e tem buscado abrir novos mercados.

O comunicado do governo ressaltou que “o Brasil seguirá tratando do assunto com o governo chinês tanto no plano bilateral quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio, OMC”.

Entre as medidas avaliadas pelo Executivo está a possibilidade de negociar a transferência de cotas não utilizadas por outros países, e intensificar a abertura comercial para destinos alternativos, como o Japão, que pode ampliar compras a partir de 2026.

Contexto global e próximos passos

A investigação chinesa sobre o aumento das importações de carne bovina começou em 2024, com a justificativa de que o crescimento das compras externas teria prejudicado a indústria local.

Especialistas destacam que a China é o maior importador e o segundo maior consumidor de carne bovina do mundo, e que o fortalecimento da pecuária doméstica por Pequim ocorre em meio a um cenário de escassez global, que tem pressionado preços internacionais.

O governo brasileiro promete diálogo contínuo com Pequim e atuação na OMC para reduzir impactos, defender os interesses de trabalhadores e produtores, e buscar alternativas para minimizar a perda de receita do setor.

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