Greve de fome de familiares de presos políticos na Venezuela pressiona por anistia após adiamento, 644 seguem detidos e 17 foram libertados na madrugada

Familiares iniciam greve de fome em Caracas para acelerar liberação de detidos, depois de novo adiamento da lei de anistia, enquanto ONG diz que 644 permanecem presos

Cerca de dez mulheres, entre mães e esposas, iniciaram uma greve de fome em frente à Zona 7, local onde familiares de presos políticos acampam há mais de um mês em Caracas.

O protesto visa pressionar as autoridades por celeridade na libertação dos detidos, após a discussão final de uma lei de anistia ter sido novamente adiada no Parlamento.

Familiares dizem que a medida é necessária para acelerar as libertações e cobrar promessas, conforme informação divulgada pelo g1.

Como começou a ação e o que os manifestantes pedem

Na madrugada em que as mulheres iniciaram a greve de fome, 17 presos políticos foram libertados das celas conhecidas como Zona 7, na capital venezuelana.

As grevistas deitaram-se em fila na entrada da prisão, deixaram uma lista com os nomes escritos à mão e afirmaram querer respostas concretas sobre a libertação de todos os detidos.

Uma das participantes, Evelin Quiaro, declarou, “Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo.”, e contou que comeu pela última vez após 1h da manhã, biscoitos com presunto.

Números e reivindicações, segundo ONG e familiares

De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro, 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional, e 644 ainda permanecem detidos.

Os familiares dizem que a lei de anistia, proposta para beneficiar centenas de detidos, tem sido adiada por divergências sobre seu alcance e sobre o papel do Poder Judiciário na aplicação.

Outra grevista, Sachare Torrez, de 23 anos, afirmou, “O que estamos pedindo com isso é que todos sejam libertados, como nos foi prometido.”

Contexto político e adiamentos da lei de anistia

Conforme a cobertura, a proposta de anistia foi apresentada em 30 de janeiro pela presidente interina Delcy Rodríguez, após anúncios de liberações feitos desde 8 de janeiro.

O texto informa ainda que, no poder após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro em uma intervenção militar americana, Rodríguez propôs a lei, cuja aprovação final foi adiada duas vezes e chegou a ter data prevista para 10 de fevereiro.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, esteve nas imediações da Zona 7 em 6 de fevereiro e prometeu, “Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos.”

Medidas e próximos passos dos familiares

Além da greve de fome, familiares já haviam se acorrentado em frente à entrada da prisão, e agora dizem que a paralisação alimentar é uma “medida drástica” considerada necessária para aumentar a pressão sobre os parlamentares.

Evelin Quiaro, deitada e protegida por um guarda-sol do calor, admitiu que “Realmente não estamos preparadas, nunca fiz isso na vida”, e outra participante resumiu a tática dizendo, “Dormir acalma a fome.”

A próxima sessão legislativa está prevista para 19 de fevereiro, e os familiares aguardam uma definição sobre o alcance da anistia e a libertação plena dos detidos.

As informações e números citados neste texto foram divulgados pelo g1, com base em relatos de familiares, da ONG Foro Penal e de comunicados divulgados nas redes por comitês de defesa de presos políticos.