quinta-feira, junho 4, 2026

Greve de fome de familiares pressiona por libertação nas prisões políticas na Venezuela após adiamento da lei de anistia e novas solturas

Share

Greve em Caracas reúne mães e esposas na entrada da Zona 7 para exigir celeridade nas liberações prometidas por Delcy Rodríguez, com 644 detidos segundo ONG

Familiares de presos políticos iniciaram uma greve de fome em Caracas para pressionar por mais libertações, após o adiamento da aprovação de uma lei de anistia que, em tese, poderia beneficiar centenas de detidos.

Cerca de dez mulheres, entre mães e esposas, deitaram em fila na entrada da Zona 7, local onde famílias acampam há mais de um mês, e deixaram uma lista com os nomes das grevistas escrita à mão.

O protesto acontece depois que, na madrugada, dezenas de prisões tiveram movimentos de soltura, em uma sequência de anúncios e de promessas legislativas que ainda enfrentam divergências no Parlamento, conforme informação divulgada pelo g1.

O protesto e a greve de fome

Na madrugada, Dezessete presos políticos foram libertados na madrugada, mas a mobilização familiar segue, com a ocupação da entrada da Zona 7 em frente às celas da Polícia Nacional, em Caracas.

As grevistas, muitas usando máscaras, disseram que iniciaram a medida para acelerar o processo de liberação dos parentes, depois do novo adiamento da votação da lei de anistia na Assembleia Nacional.

A ação deitar-se em fila e permanecer sem alimentação foi descrita pelas participantes como uma “medida drástica” para obter respostas e pressões concretas por libertações adicionais.

Reivindicações e relatos das famílias

Entre as falas mais ouvidas está a de Evelin Quiaro, mãe de um preso, que afirmou, "Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo."

Quiaro relatou detalhes do início da greve, e disse que, antes de começar, comeu algo leve, "Quiaro comeu pela última vez depois da 1h da manhã: biscoitos com presunto." Ela também admitiu, "Realmente não estamos preparadas, nunca fiz isso na vida".

Outra defesa intensa da causa veio em palavras publicadas pela própria acampamento, onde familiares exigem que o processo alcance todos os detidos de caráter político, como resumiu uma das participantes, "O significado principal e o único é que finalmente nos deem respostas concretas sobre a libertação de todos os rapazes que estão ali dentro, todos".

Dados, libertações e a lei de anistia

A disputa legislativa em torno da lei de anistia tem papel central no impasse. A proposta, apresentada após a mudança de governo iniciada em 3 de janeiro, foi colocada em pauta por Delcy Rodríguez, que anunciou um cronograma de libertações desde 8 de janeiro.

De acordo com a ONG Foro Penal, De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão, número que as famílias citam como base da urgência por respostas e ações imediatas.

O próprio presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, esteve em encontro com familiares na Zona 7 e prometeu, "Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos", além de prever datas para a votação que depois sofreram adiamentos por divergências sobre alcance e aplicação da norma.

O que vem a seguir

As divergências entre deputados sobre o texto e sobre o papel do Judiciário na aplicação da anistia empurraram a votação para sessões posteriores, elevando a frustração das famílias que dormem e acampam próximo às celas.

As próximas sessões legislativas previstas, segundo relatos, são vistas pelas grevistas como oportunidade para transformar promessas em libertações concretas, enquanto a greve de fome busca intensificar a pressão pública e internacional.

Enquanto isso, organizações de direitos e redes sociais seguiram registrando nomes e datas de soltura, como a libertação de lideranças sindicais e ativistas, reforçando a tensão entre liberdades condicionais e pedidos de anistia ampla.

As famílias afirmam que manterão a mobilização até que haja respostas claras e ações efetivas, com o apelo por celeridade e cumprimento das promessas de libertação, tema central desta greve de fome.

Leia Mais

Fique por dentro