Greve de fome na Venezuela provoca apelo urgente por libertação de presos políticos após adiamento da lei de anistia, familiares aumentam pressão na Zona 7

Familiares de detidos iniciam jejum coletivo em Caracas, deitam-se em fila na entrada da Zona 7 e exigem celeridade na libertação prometida, diante de impasse no Parlamento

Uma greve de fome começou neste sábado em Caracas, com cerca de dez mulheres, entre mães e esposas, deitando-se em fila na entrada da Zona 7, local de acampamento dos familiares há mais de um mês.

O protesto busca acelerar a libertação de detidos por motivos políticos, após o adiamento da votação de uma lei de anistia que, em tese, poderia beneficiar centenas de presos.

Durante a madrugada foram libertados 17 presos políticos, mas os familiares dizem que a medida não é suficiente, e exigem respostas claras das autoridades, conforme informação divulgada pelo g1.

O protesto e as vozes das famílias

As grevistas deixaram uma lista escrita à mão com os nomes de quem participa do jejum, e muitas dormiam ao amanhecer, porque, segundo uma delas, “Dormir acalma a fome”.

Evelin Quiaro, 46 anos, funcionária do serviço de migração e mãe de um preso político, afirmou, deitada na entrada da prisão, “Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo.”

Quiaro contou que comeu pela última vez depois da 1h da manhã, biscoitos com presunto, e admitiu que as mulheres não estavam preparadas para a medida, “nunca fiz isso na vida”.

Liberações recentes e números oficiais

Durante a madrugada, 17 detentos foram libertados das celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, na capital venezuelana.

De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão.

Lei de anistia, promessas e adiamentos

Após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro e a ascensão de Delcy Rodríguez como presidente interina em consequência de uma intervenção militar americana, foi proposta uma lei de anistia em 30 de janeiro, cujo alcance ainda gera divergências entre os deputados.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, esteve nas imediações das celas em 6 de fevereiro e prometeu, “Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos”, e anunciou que a lei seria aprovada em 10 de fevereiro, data que acabou sendo adiada por discordâncias sobre seu conteúdo e o papel do Poder Judiciário.

Pressão, expectativa e próximas etapas

Frustradas com o ritmo das liberações, várias famílias chegaram a se acorrentar em frente à entrada da prisão, e agora optaram pela greve de fome como forma de aumentar a pressão sobre o Executivo e o Parlamento.

As grevistas afirmam que a medida é drástica e pode esgotá-las, mas a consideram necessária para que as promessas de libertação sejam cumpridas. A próxima sessão legislativa está prevista para 19 de fevereiro, data em que os familiares esperam avanços concretos.

Além das ações no local, a libertação tem estado sob forte atenção internacional, com pedidos de maior celeridade, enquanto organizações e ativistas acompanham a situação dos detidos e das famílias que permanecem acampadas na Zona 7.