CGT anuncia paralisação nacional de 24 horas sem mobilização nas ruas, enquanto a proposta segue para a Câmara com previsão de votação entre 25 de fevereiro e 1º de março
A maior central sindical argentina, a Confederação Geral do Trabalho, CGT, convocou uma greve geral de 24 horas em resposta à proposta de reforma trabalhista apresentada pelo presidente Javier Milei.
A paralisação começará assim que a Câmara dos Deputados iniciar o debate sobre o projeto, que foi aprovado no Senado na madrugada de quinta-feira, 12 de fevereiro, e agora segue para análise da Câmara.
A medida deve ser tomada sem atos ou grandes mobilizações nas ruas, com interrupção das atividades como forma de protesto, conforme informação divulgada pelo g1
O que prevê a reforma trabalhista de Milei
A proposta aprovada no Senado por 42 votos a 30 reúne dezenas de artigos que alteram regras históricas, muitas delas estabelecidas desde os anos 1970.
Entre as principais mudanças estão a flexibilização de contratos, a alteração das regras de férias e da jornada de trabalho, a facilitação de demissões e a imposição de limites ao direito de greve.
Autoridades do governo justificam a reforma como parte de um pacote mais amplo, voltado à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento, enquanto críticos alertam para a perda de direitos trabalhistas.
Reação sindical e formato da paralisação
A convocação da greve aumenta a tensão entre o governo e os sindicatos, que têm forte influência política na Argentina. Em comunicado, a CGT explicou que a paralisação será uma suspensão das atividades e que não haverá atos nas ruas.
O anúncio reforça a mobilização sindical contra o texto que segue agora para a Câmara, onde poderá sofrer alterações, mas cujo calendário prevê debate antes do fim de fevereiro, e expectativa do governo de votação em plenário entre 25 de fevereiro e 1º de março.
Contexto político e social
A votação no Senado foi marcada por forte tensão política e social, e, na véspera, manifestantes contrários à reforma entraram em confronto com a polícia em Buenos Aires, gerando preocupações sobre novos episódios de violência.
Especialistas consultados por veículos locais descrevem a proposta como uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, e dizem que seu impacto dependerá das alterações que a Câmara ainda possa aprovar.
Próximos passos e impacto esperado
Enquanto a Câmara analisa o texto, a CGT mantém a data da paralisação condicionada ao início do debate legislativo, e o clima entre governo, centrais sindicais e oposição deve permanecer tenso até a definição final do projeto.
Se aprovada sem mudanças significativas, a reforma deve alterar profundamente contratos de trabalho, regras sobre férias, jornada e mecanismos de negociação coletiva, além de gerar repercussões políticas e sociais por todo o país.