Greve geral na Argentina contra a reforma trabalhista de Milei, sindicatos convocam 24 horas de paralisação quando Câmara iniciar o debate, sem atos nas ruas
Com a reforma trabalhista de Milei aprovada no Senado, a CGT anuncia paralisação nacional de 24 horas, a greve começa quando a Câmara abrir o debate e não haverá mobilizações externas
A maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho, marcou uma greve geral de 24 horas contra a proposta de mudança nas regras do trabalho apresentada pelo presidente Javier Milei.
A paralisação terá início assim que a Câmara dos Deputados iniciar o debate da proposta, e segundo a central não haverá atos públicos ou mobilizações nas ruas, apenas interrupção das atividades.
O anúncio eleva a tensão política e social em um momento em que o governo busca aprovar a reforma em caráter acelerado, conforme informação divulgada pelo g1.
O que diz o texto aprovado no Senado
A reforma trabalhista de Javier Milei foi aprovada no Senado por 42 votos a 30 na madrugada de quinta-feira (12). O projeto prevê flexibilização de contratos, alterações nas regras sobre férias e jornada, facilitação de demissões e limites ao direito de greve.
Especialistas consultados relataram que a proposta reúne dezenas de artigos e representa uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, afetando normas que, em sua maioria, remontam aos anos 1970.
Reação dos sindicatos e formato da paralisação
A Confederação Geral do Trabalho, ou CGT, decidiu pela greve nacional de 24 horas, com a orientação de interromper atividades quando a Câmara iniciar a discussão do texto.
Segundo a central, a paralisação será só de trabalho, sem manifestações nas ruas, decisão que busca manter a pressão sobre o Congresso preservando, ao mesmo tempo, a ordem nas cidades.
Calendário político e próximos passos
O texto agora segue para a Câmara dos Deputados, onde pode sofrer alterações, e a expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Congresso.
Enquanto isso, partidos de oposição e sindicatos prometem acompanhar de perto o trâmite, e analistas apontam que a votação na Câmara é um ponto crítico, capaz de modificar prazos e conteúdo da proposta.
Impactos sociais e cenário de protestos
A votação no Senado já provocou forte tensão social, com confrontos entre manifestantes e polícia em Buenos Aires na véspera, e líderes sindicais alertam para a fragilização de direitos históricos dos trabalhadores.
O clima de polarização eleva o risco de novas mobilizações caso a Câmara aprove a reforma sem mudanças significativas, e a greve convocada pela CGT aparece como a primeira resposta coordenada em nível nacional.