Groenlândia e tarifa de 10%, tensão EUA-Europa: Scott Bessent pede calma em Davos, diz que medidas são instrumento de negociação e defende diálogo

No Fórum Econômico Mundial, secretário do Tesouro dos EUA pediu que aliados “acalmem-se” sobre a Groenlândia, afirmou que tarifas buscam negociação e citou gastos dos EUA na Otan

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu que os países europeus evitem retaliações diante da intenção do presidente Donald Trump de assumir maior controle sobre a Groenlândia.

As declarações ocorrem em meio à escalada de tensões após Trump reiterar que considera a Groenlândia estratégica para a segurança dos EUA e anunciar a aplicação de uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026.

Bessent minimizou o risco de ruptura entre aliados, afirmou que o governo americano segue comprometido com o diálogo e pediu que as nações europeias mantenham a calma, conforme informação divulgada pelo g1

O pedido de calma em Davos e as frases que marcaram a coletiva

Em coletiva no Fórum Econômico Mundial, Bessent usou uma mensagem direta ao público europeu, pedindo contenção diante das medidas anunciadas em Washington.

Ele disse, em trecho citado pela imprensa, “Digo a todos: acalmem-se. Respirem fundo. Não revidem. O presidente estará aqui amanhã e transmitirá sua mensagem”, transmitindo a ideia de que o diálogo ainda é o caminho preferido pela administração norte-americana.

O secretário também tentou desdramatizar o anúncio das tarifas, ao afirmar que “o uso de tarifas tem sido uma ferramenta eficaz para trazer países à mesa de negociação em questões estratégicas“, posicionamento que busca enquadrar a medida como instrumento de pressão e não como um ataque direto.

Repercussão política na Europa e a reação de líderes

Autoridades europeias reagiram rapidamente, reafirmando o apoio à soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia e criticando a ameaça de tarifas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou a soberania da ilha de “inegociável” e considerou um erro a ameaça tarifária, segundo relatos da imprensa internacional.

Apesar do clima tenso, Bessent procurou minimizar a possibilidade de ruptura nas alianças, insistindo que as medidas comerciais anunciadas devam funcionar como alavanca para negociações bilaterais e multilaterais.

O argumento sobre os custos na Otan e o dado citado por Bessent

Ao falar sobre o impacto das tensões nas relações de defesa, Bessent afirmou que a aliança permanece sólida, mas cobrou maior contribuição dos países europeus.

Ele citou números históricos para sustentar o argumento, dizendo que “Desde 1980, os EUA gastaram cerca de US$ 22 trilhões (cerca de R$ 118 trilhões) a mais em defesa do que o restante da Otan somado. Chegou o momento de os europeus contribuírem mais.”, declaração apresentada na coletiva em Davos.

Essa estatística foi usada para justificar a pressão dos EUA sobre aliados, em especial quando temas estratégicos, como a Groenlândia, entram na pauta.

Impacto econômico, mercados e menção ao Federal Reserve

Bessent buscou afastar temores sobre efeitos financeiros imediatos da disputa, dizendo que movimentos recentes nos mercados refletem fatores locais e não estão diretamente ligados à retórica americana sobre a Groenlândia.

Em outro trecho da agenda em Davos, o secretário comentou assuntos relacionados ao Federal Reserve, e criticou a possível presença do presidente do Fed nas audiências da Suprema Corte sobre a tentativa de demissão de uma diretora, ao afirmar que seria um erro, segundo cobertura da imprensa.

O episódio com a direção do Fed e a disputa política em torno de indicações e demissões alimentam o contexto de incerteza institucional, mas, por ora, as autoridades americanas dizem que preferem usar instrumentos comerciais e diplomáticos para tratar as divergências com a Europa.

As próximas etapas incluem o discurso do presidente e encontros bilaterais em Davos, que poderão delinear se a disputa evolui para uma negociação ou se haverá novas medidas que agravem a tensão transatlântica.