Dinamarca e Groenlândia dizem não a plano dos EUA de controlar ilha estratégica no Ártico, gerando crise diplomática após nomeação de enviado especial.
Líderes da Dinamarca e da Groenlândia emitiram declarações conjuntas nesta segunda-feira (22) rejeitando veementemente qualquer tentativa de controle americano sobre o território ártico. A resposta firme surge após o presidente Donald Trump anunciar a nomeação de um enviado especial para a Groenlândia, reacendendo antigas disputas sobre a ilha rica em recursos naturais e de importância estratégica.
A decisão de Trump, que indicou o governador da Louisiana, Jeff Landry, para o cargo, foi vista como uma escalada nas ambições dos Estados Unidos sobre a maior ilha do mundo. A nomeação gerou preocupação em Copenhague e Nuuk, que buscam garantir a soberania e a integridade territorial da Groenlândia.
As autoridades dinamarquesas e groenlandesas enfatizaram que as fronteiras e a soberania dos Estados são garantidas pelo direito internacional e que anexações não são permitidas, mesmo sob o pretexto de segurança internacional. A mensagem é clara: a Groenlândia pertence aos groenlandeses, e a integridade territorial conjunta da Dinamarca e da Groenlândia deve ser respeitada.
Conforme informação divulgada pelo G1, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmaram em nota conjunta que “as fronteiras nacionais e a soberania dos Estados estão enraizadas no direito internacional”.
Tensão crescente no Ártico: EUA intensificam interesse na Groenlândia
A nomeação de Jeff Landry como enviado especial dos EUA para a Groenlândia não é um evento isolado. O presidente Donald Trump já demonstrou interesse na ilha em outras ocasiões, chegando a cogitar a compra e não descartando o uso da força militar para assumir seu controle. A localização estratégica da Groenlândia no Ártico, além de suas vastas reservas minerais, a torna um ponto de interesse geopolítico.
Em março, o vice-presidente americano, JD Vance, visitou uma base militar dos EUA na Groenlândia e criticou a Dinamarca por, segundo ele, subinvestir na região. Embora o tema tenha perdido força na mídia por um tempo, a nova nomeação trouxe a questão de volta ao centro do debate internacional.
Resposta diplomática: Dinamarca convoca embaixador dos EUA
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, confirmou o interesse contínuo dos Estados Unidos na Groenlândia, mas reiterou a necessidade de respeito à integridade territorial. Rasmussen anunciou que convocará o embaixador dos EUA em Copenhague, Kenneth Howery, para uma reunião no ministério. A medida demonstra a seriedade com que a Dinamarca está tratando a situação.
A declaração de Rasmussen segue uma linha de firmeza já demonstrada por Nielsen, que, em publicação no Facebook, afirmou que a nomeação americana “não muda nada” para a Groenlândia, apesar de ter sido surpreendida pelo anúncio. A União Europeia também se manifestou, com um porta-voz destacando a importância de preservar a integridade territorial, a soberania e as fronteiras do Reino da Dinamarca.
Enviado especial dos EUA expressa desejo de anexação
Em declarações que aumentaram a tensão, o recém-nomeado enviado especial dos EUA, Jeff Landry, escreveu em sua rede social X que é uma “honra” servir para “fazer da Groenlândia parte dos EUA”. Essa fala reforça as preocupações expressas pela Dinamarca e pela Groenlândia, que veem a ação americana como uma clara violação do direito internacional e da soberania territorial.
O Serviço de Inteligência de Defesa Dinamarquês, em relatório anual divulgado no início do mês, já alertava sobre o uso do poder econômico pelos Estados Unidos para impor sua vontade e ameaçar aliados e adversários. A atual movimentação em relação à Groenlândia parece confirmar essas preocupações e aponta para um futuro de negociações tensas no cenário geopolítico ártico.