Nome lembrado por Fernando Haddad para a diretoria de Política Econômica do Banco Central gerou preocupação entre analistas, e Mello afirmou estar sereno e disponível para as tarefas
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou que ainda não recebeu convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir vaga no Banco Central, mas colocou o seu nome à disposição caso a indicação avance.
Mello disse se sentir “lisonjeado” pela lembrança e afirmou estar “feliz pela confiança do ministro”, mas destacou que não há convite formal até o momento, e por isso não comentaria mais sobre o assunto.
Em entrevista a jornalistas, ele reforçou que “Estou à disposição do presidente e do ministro para cumprir as tarefas que eles julgam pertinentes, e que eu tenha capacidade de realizá-las, como eu acho que mostramos bons resultados aqui na Fazenda em projeções, estudos, proposições legislativas. Estou sereno e fico feliz que o ministro tenha confiança no meu nome”, conforme informação divulgada pelo g1
Repercussão no mercado e preocupações sobre a política de juros
A divulgação de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou o nome de Guilherme Mello ao presidente Lula provocou reação entre agentes do mercado financeiro, que temem um viés desenvolvimentista na condução da política monetária.
Analistas apontam receio de que um perfil favorável a cortes mais rápidos da taxa Selic possa dificultar o controle da inflação, em um momento em que o Banco Central já sinalizou iniciar redução dos juros a partir de março, segundo decisões recentes do Copom.
Posição de Mello, ligações pessoais e limites do papel atual
Mello ressaltou que não integra o Banco Central, e por isso “não tem os instrumentos necessários para julgar” a magnitude ou o calendário de cortes, que cabem ao Copom definir tecnicamente.
Ele também observou ter amizade com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, desde a faculdade, mas disse não ter tratado o tema com ele, porque a decisão final depende do presidente Lula.
Na fala aos jornalistas, Mello avaliou que “Tenho consciência que o BC tem feito um trabalho importante. É um trabalho técnico, informado. É um tema que o Copom tem de decidir. Indicou que vai iniciar o movimento de flexibilização. Qual magnitude, eles que vão informar com base nas melhores informações que tiverem”.
Como funciona a indicação e o papel da autonomia do Banco Central
As vagas na diretoria do Banco Central foram abertas no início do ano com a saída de diretores indicados pela gestão anterior, e a escolha dos novos membros é prerrogativa do presidente da República, observando a autonomia do BC, sancionada em 2021.
Com a autonomia, presidente e diretores têm mandatos de quatro anos, sem possibilidade de substituição antes do prazo, o que torna a escolha relevante para a condução de política monetária e para a percepção do mercado sobre compromisso com o controle da inflação.
Sobre a prerrogativa presidencial, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, comentou anteriormente, “Tenho por orientação não entrar na prerrogativa do presidente [Lula, responsável por indicar os nomes]. Perfil, quando, o presidente vai comunicar isso. Não cabe ao BC falar sobre prerrogativa do presidente. Mesmo que a gente participe [do debate], quem vai falar sobre isso é o presidente”.
O que faz o diretor de Política Econômica e por que a vaga é sensível
A diretoria de Política Econômica é considerada chave para as decisões do Copom, porque é responsável por apresentar cenários, projeções e recomendações sobre a taxa básica de juros, a Selic, que está em patamar elevado, no maior nível em quase 20 anos.
O diretor participa das reuniões do Copom, propõe diretrizes e pode indicar diretamente um nível para a taxa de juros, o que explica a atenção do mercado e a sensibilidade de qualquer mudança no quadro da diretoria.
Enquanto não houver nome indicado formalmente pelo presidente, o cenário segue em debate público e em análise pelas autoridades e agentes econômicos, com atenção às declarações oficiais e aos próximos passos do governo.