Guilherme Mello indicado ao Banco Central, se diz lisonjeado e se coloca à disposição para a diretoria de Política Econômica, e mercado reage a possível corte de juros
Guilherme Mello afirma não ter recebido convite do presidente, diz estar sereno, disponível para assumir vaga chave no Banco Central e lembra confiança do ministro Haddad
Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, disse estar lisonjeado pela indicação ao Banco Central, mas afirmou que ainda não recebeu convite formal do presidente.
Ele afirmou que segue trabalhando com sua equipe no ministério e se colocou à disposição do presidente e do ministro para cumprir as tarefas que julgarem pertinentes, caso venha a ser chamado.
As informações sobre a indicação repercutiram entre analistas do mercado, que demonstraram preocupação com o perfil desenvolvimentista de Mello e possíveis impactos na condução da política monetária.
conforme informação divulgada pelo g1
Declarações de Mello e a indicação pelo ministro
Em entrevista a jornalistas, Guilherme Mello declarou, sobre a lembrança de seu nome para o cargo, “Fico lisonjeado pela lembrança do meu nome, feliz pela confiança do ministro. Não recebi nenhum convite, estou trabalhando com minha equipe. Não tenho nada a comentar sobre isso, porque não há convite feito. Estou a disposição do presidente e do ministro para cumprir as tarefas que eles julgam pertinentes, e que eu tenha capacidade de realiza-las, como eu acho que mostramos bons resultados aqui na fazenda em projeções, estudos, proposições legislativas. Estou sereno e fico feliz que o ministro tenha confiança no meu nome”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou nesta semana que indicou o nome de Mello ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga de diretor de Política Econômica do Banco Central, posição considerada central na definição da taxa básica de juros.
Reação do mercado e preocupações sobre corte de juros
A divulgação da provável indicação recebeu críticas entre analistas do mercado financeiro, que temem que um perfil mais desenvolvimentista favoreça um corte mais rápido da Selic, e assim comprometa o controle da inflação.
Mello procurou afastar leituras precipitadas sobre calendário de cortes, lembrando que não integra a diretoria do BC e que não dispõe dos instrumentos para julgar decisões internas. Sobre a atuação da autoridade monetária, ele afirmou, “Tenho consciência que o BC tem feito um trabalho importante. É um trabalho técnico, informado. É um tema que o copom tem de decidir. Iniciou que vai iniciar o movimento de flexibilização. Qual magnitude, eles que vão informar com base nas melhores informações que tiverem”, afirmou Mello.
Perfil, formação e percurso profissional
O economista Guilherme Mello tem formação acadêmica sólida, com graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, e Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Ele também é mestre em Economia Política pela PUC-SP, e doutor em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas.
No ministério, Mello atua como secretário de Política Econômica, cargo em que participou da elaboração de projeções, estudos e proposições legislativas, atividades citadas por ele ao justificar disponibilidade para assumir novas funções.
O que está em jogo na diretoria de Política Econômica
A vaga para diretor de Política Econômica foi aberta após a saída, no início do ano, de diretores indicados pelo governo anterior, e a diretoria do Banco Central já conta com maioria de integrantes indicados pela atual gestão desde 2025.
A posição tem papel relevante no Comitê de Política Monetária, o Copom, cabendo ao diretor apresentar cenários macroeconômicos, projeções e recomendações, e propor um nível para a taxa básica de juros, a Selic.
Recentemente o Banco Central sinalizou que iniciará cortes na Selic já em março, no próximo encontro do Copom, o que torna ainda mais sensível a discussão sobre o perfil dos indicados para a diretoria.
Próximos passos e posicionamentos oficiais
Até o momento, não houve convite formal do presidente a Guilherme Mello, e o próprio economista reiterou que não comenta o assunto enquanto não houver nomeação oficial. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já disse que não comenta prerrogativas do presidente da República sobre indicações, e que o tema cabe ao Palácio do Planalto.
O cenário seguirá em observação pelos mercados e agentes econômicos, que aguardam a posição oficial do governo sobre a indicação, e eventuais desdobramentos nas decisões do Copom sobre a trajetória da taxa de juros.