Haddad defende aumento do imposto sobre importações para mais de mil produtos, incluindo smartphones, e diz que medida tem caráter regulatório

Medida pode subir tarifas em até 7,2 pontos percentuais, atinge eletrônicos e máquinas industriais, e busca, segundo ministro, proteger a produção nacional sem escalada de preços

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo fará um aumento do imposto sobre importações para mais de mil itens, com caráter regulatório e objetivo de proteger a indústria brasileira.

A elevação das tarifas pode chegar a 7,2 pontos percentuais para os produtos incluídos na medida, e atinge desde smartphones até máquinas e equipamentos industriais.

O governo também informou regras para componentes sem produção nacional semelhante, que terão tarifa zero, segundo a equipe econômica, conforme informação divulgada pelo g1.

O que disse o ministro e o objetivo da medida

Haddad defendeu que a revisão tarifária visa proteger a produção nacional e combater práticas comerciais desleais. Em entrevista, ele afirmou, “Mais de 90% desses produtos são produzidos no Brasil, ou seja, seguem a lei brasileira, não tem nada a ver com essa medida (…) para proteger a produção nacional que essa medida está sendo tomada“.

Questionado sobre possíveis revogações, o ministro disse que a medida protege contra o “comércio internacional desleal” e que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o MDIC, poderá fazer ajustes, inclusive zerando a tarifa se necessário.

Quais setores e produtos são afetados

Entre os itens citados pelo governo estão smartphones, máquinas para indústrias diversas, turbinas, caldeiras, geradores, fornos industriais, equipamentos de impressão, robôs industriais e aparelhos médicos, entre outros.

O MDIC informou que a medida não atinge os aparelhos produzidos no Brasil, e que, em 2025, 95% dos equipamentos no país são fabricados localmente, ficando apenas 5% sujeitos ao aumento do imposto.

Impacto para consumidores e para fabricantes

O governo afirma que o aumento do imposto sobre importações tem caráter regulatório e que a intenção não é repassar aumento de preço ao consumidor, mas incentivar a produção nacional. Haddad disse, “Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Então não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional, não tem impacto em preço“.

Analistas e representantes de setores afetados alertam que, dependendo do produto, a elevação da tarifa pode encarecer compras internacionais e impactar cadeias produtivas que dependem de insumos importados.

Como fica a aplicação e as exceções

Parte dos aumentos já entrou em vigor, e o restante começa a valer a partir de março, segundo o anúncio. O governo também garantiu tarifa zero para todo componente usado pela indústria que não tenha produção nacional similar.

O Executivo alega poder ajustar a lista e as alíquotas conforme necessidade regulatória, mantendo a possibilidade de reversão para proteger cadeias produtivas ou evitar distorções, conforme avaliação do MDIC e do Ministério da Fazenda.

O tema deve seguir em debate político e setorial nas próximas semanas, enquanto consumidores, importadores e indústrias avaliam os efeitos práticos do aumento do imposto sobre importações e as garantias oferecidas pelo governo.