Ex-secretária de Estado afirmou em entrevista que a administração Trump está retendo informações sobre os arquivos de Epstein, e defendeu que todas as pessoas convocadas prestem depoimento
A ex-secretária de Estado Hillary Clinton acusou, em entrevista à BBC em Berlim, que o governo do presidente Donald Trump está “enrolando” para divulgar integralmente os documentos relacionados a Jeffrey Epstein.
Ela pediu que os arquivos de Epstein sejam tornados públicos e defendeu audiências abertas no Congresso, afirmando que a transparência é o melhor remédio.
As declarações foram dadas durante o Fórum Mundial anual, conforme informação divulgada pelo g1.
O que Hillary disse sobre a divulgação dos arquivos de Epstein
Na entrevista à BBC, Hillary Clinton foi direta, “Divulguem os arquivos. Eles estão enrolando”, e reiterou que pediu diversas vezes pela divulgação integral dos documentos. Ela argumentou que a melhor forma de tratar o caso é com transparência, e disse, “Não temos nada a esconder. Pedimos por diversas vezes a divulgação integral desses arquivos. Acreditamos que a transparência é o melhor remédio.”
A ex-candidata à Presidência também afirmou que ela e o marido estariam sendo usados para desviar a atenção de Donald Trump, dizendo que o foco tem sido deslocado para os Clinton em vez de perguntas sobre outros envolvidos.
Questionada sobre a possível convocação de Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe, Hillary declarou, “Eu acho que todas as pessoas deveriam testemunhar se forem convocadas para isso”. Ela ainda defendeu que a audiência do casal Clinton seja pública, e declarou, “Vamos comparecer, mas achamos que seria melhor que fosse em público”.
Resposta da Casa Branca, de Trump e trechos dos documentos
A Casa Branca rebateu as críticas com uma nota defendendo o trabalho da administração, afirmando que, ao liberar milhares de páginas, cooperar com intimações do Comitê de Supervisão e apoiar novas investigações, o governo Trump “fez mais pelas vítimas do que os Democratas já fizeram”.
O presidente Donald Trump, citado nos materiais, negou irregularidades e disse, “Fui inocentado. Não tive nada a ver com Jeffrey Epstein. Eles investigaram esperando encontrar algo, e encontraram exatamente o contrário”. A declaração foi dada a bordo do avião oficial, e o presidente afirmou ainda que o problema estaria nas outras pessoas, não nele.
O Departamento de Justiça afirmou anteriormente que “alguns documentos continham acusações sensacionalistas e contra Trump que foram apresentadas ao FBI pouco antes da eleição de 2020”. Em início deste mês, o órgão divulgou milhões de novos arquivos ligados a Epstein, mas parlamentares e especialistas dizem que a liberação ainda é insuficiente.
O vice-procurador-geral explicou que cerca de três milhões de páginas não haviam sido divulgadas inicialmente por conterem prontuários médicos pessoais, descrições gráficas de abuso infantil e materiais que poderiam prejudicar investigações em andamento.
Impacto nos depimentos e próximos passos no Congresso
Os Clinton concordaram em depor perante um comitê do Congresso após pressão dos parlamentares, evitando, por ora, uma votação que poderia abrir processo por desacato. Bill Clinton deverá depor em 27 de fevereiro, enquanto Hillary está marcada para 26 de fevereiro.
A audiência será a primeira vez que um ex-presidente americano testemunha diante de um comitê do Congresso desde Gerald Ford, em 1983, e tem gerado debate sobre se ocorrerá em sessão pública ou reservada. O presidente do comitê, James Comer, acusou os Clinton de protelar, enquanto Hillary afirmou, “Eu só quero que seja justo. Quero que todos sejam tratados da mesma forma”.
Os milhões de novos arquivos tornados públicos pelo Departamento de Justiça foram liberados após o Congresso aprovar uma lei que obriga a divulgação de materiais ligados às investigações do caso. Ainda assim, legisladores como o deputado Thomas Massie pedem a publicação de memorandos internos que expliquem decisões passadas sobre denúncias relacionadas a Epstein e seus associados.
Contexto do caso e referências factuais
Jeffrey Epstein foi encontrado morto em 10 de agosto de 2019 em uma cela de prisão em Nova York, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual, sem direito à fiança. Segundo a justiça americana, Epstein tirou a própria vida. A morte ocorreu mais de uma década após sua condenação por aliciar uma menor para prostituição, crime que levou ao seu registro como agressor sexual.
Entre as pessoas mencionadas nos documentos estão Ghislaine Maxwell, condenada por recrutar e traficar adolescentes, e Andrew, ex-príncipe, que negou irregularidades e firmou, em 2022, um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre. Giuffre tirou a própria vida em 2025.
Bill Clinton aparece nos arquivos e disse ter tido contato com Epstein, mas afirmou ter rompido relações há cerca de duas décadas. Nenhum dos dois foi acusado por vítimas relacionadas aos abusos de Epstein, e ambos dizem não ter tido conhecimento dos crimes na época.
O caso segue em evolução, com pressão por maior divulgação dos arquivos de Epstein, pedidos por depoimentos de pessoas citadas nos materiais e apelos por transparência por parte de ex-funcionários e legisladores.