quinta-feira, junho 4, 2026

Hospitais sobrecarregados no Irã, médicos relatam crise em Farabi e em Shiraz com feridos por bala na cabeça e nos olhos enquanto mais de 50 pessoas morrem nos protestos

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Relatos de profissionais, suspensão de cirurgias eletivas e falta de médicos apontam para colapso em centros médicos de Teerã e Shiraz, em meio a bloqueio de internet e confrontos

Hospitais de pelo menos duas cidades iranianas estão sobrecarregados com o grande número de feridos trazidos pelas manifestações que ocorrem desde 28 de dezembro.

Médicos descrevem uma situação de emergência, com centros especializados convocando equipe e suspendendo procedimentos não urgentes para atender às vítimas.

O fluxo intenso de pacientes, muitos com ferimentos de projétil na cabeça e nos olhos, agravou a crise nos serviços de urgência, conforme informação divulgada pelo g1.

Relatos dos hospitais e da equipe médica

Médicos que falaram com a imprensa afirmam que o Hospital Farabi, principal centro oftalmológico de Teerã, está em crise, com serviços de emergência sobrecarregados.

Segundo os relatos, internações e cirurgias não urgentes foram suspensas, e a equipe foi convocada para lidar com casos de emergência, o que indica reorganização de turnos e prioridades.

Em Shiraz, um médico enviou vídeo e áudio relatando que um grande número de feridos estava sendo levado ao hospital, e que não há médicos suficientes para atender ao fluxo.

O profissional disse que muitos dos feridos apresentam ferimentos de bala na cabeça e nos olhos, lesões que demandam atendimento especializado e equipamento que pode não estar disponível em número suficiente.

Números de mortos, feridos e detenções

Os dados sobre vítimas variam conforme as fontes que acompanham os protestos, e ONGs e agências de direitos humanos têm divulgado números preocupantes.

Conforme as organizações citadas nas reportagens, Mais de 50 pessoas já morreram em protestos no Irã, informação amplamente divulgada nas últimas atualizações.

Desde o início dos protestos em 28 de dezembro, pelo menos 50 manifestantes e 15 membros das forças de segurança foram mortos, segundo a agência de notícias Human Rights Activist News Agency, HRANA.

A mesma agência também informou que Mais de 2.311 pessoas também foram presas, número que ilustra a amplitude das detenções em diversas cidades.

A organização Iran Human Rights, IHRNGO, sediada na Noruega, afirmou que pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove crianças, foram mortos, e a BBC Persian conferiu identidades de 22 desses mortos conversando com suas famílias.

Contexto político e reações internacionais

O clima político se intensificou com acusações mútuas, mensagens duras de autoridades iranianas e alertas do governo dos Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã está em “grandes apuros” e disse, em tom de advertência, “É melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar”.

Em outro momento, Trump declarou que “Vamos atacá-los com muita força onde dói”, e ressaltou que qualquer envolvimento norte-americano não significaria “tropas em solo iraniano”.

O Irã, por sua vez, acusou os EUA de fomentarem os protestos e, em carta ao Conselho de Segurança da ONU, responsabilizou Washington por transformar as manifestações em “atos subversivos violentos e vandalismo generalizado”.

Líderes internacionais têm pedido respeito ao direito a protestos pacíficos, e a ONU declarou que os governos têm a responsabilidade de proteger esse direito.

Internamente, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, adotou tom desafiador, afirmando, “A República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará diante daqueles que negam isso”, e dizendo que o país “não se furtará a lidar com elementos destrutivos”.

Impacto na cobertura e no acesso à informação

A obtenção de informações e a verificação dos fatos foram dificultadas por restrições de acesso, com a BBC e outras organizações internacionais proibidas de atuar dentro do Irã.

O país enfrenta um bloqueio de internet quase total desde a noite de quinta-feira, o que complica a comunicação, a transmissão de evidências e o trabalho de jornalistas e familiares.

Em meio a isso, ao menos um médico conseguiu contatar meios internacionais via internet por satélite Starlink, e repassou informações sobre o colapso no atendimento em Teerã.

Autoridades de segurança iranianas emitiram avisos e prometeram medidas legais contra quem participasse de atos que classificaram como violentos, enquanto a Guarda Revolucionária afirmou que continuará operações até a “completa derrota do plano do inimigo”.

Os relatos médicos sobre hospitais sobrecarregados, feridos com lesões graves, e o aumento de mortes e prisões desenham um cenário de crise humanitária e política, com impacto direto sobre a capacidade do sistema de saúde de atender emergências.

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