Cortes de juros no Brasil e nos EUA, maior fluxo de investidores estrangeiros e percepção de valor na bolsa impulsionam o Ibovespa, enquanto a volatilidade eleitoral e geopolítica elevam riscos
O principal índice da B3 começou o ano renovando recordes e acumulou ganhos que animam gestores e analistas do mercado.
Entre os vetores citados pelos especialistas estão a expectativa de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, e a entrada de recursos internacionais em busca de maior retorno.
Ao mesmo tempo, a imprevisibilidade de decisões externas e o calendário eleitoral brasileiro devem aumentar a volatilidade ao longo de 2026, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a Faria Lima está otimista
O mercado projeta que a Selic deve cair no primeiro trimestre, a expectativa é que “a taxa básica de juros, atualmente no maior nível em quase 20 anos, caia 2,75 pontos percentuais até o fim de 2026, passando de 15% para 12,25% ao ano”, segundo levantamento citado pelo g1.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve reduziu em 2025 a taxa referencial à faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, “o menor patamar desde setembro de 2022”, e há expectativas de novas quedas, movimento que torna ativos de risco mais atraentes.
Como explica André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, “Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança”, e isso explica parte do apetite pela bolsa brasileira.
Entrada de estrangeiros e o papel do real
O fluxo externo tem sido determinante para a valorização do Ibovespa, e mesmo após um ano de alta forte, a participação internacional seguiu presente nos primeiros dias de 2026.
Conforme dados citados pelo g1, em 2025 investidores não residentes aplicaram R$ 25,4 bilhões em compras líquidas na bolsa brasileira, e “em 2026, até 20 de janeiro, esses investidores já somam R$ 8,7 bilhões líquidos em compras de ações brasileiras”.
Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, resume, “Ou seja, o investidor estrangeiro segue sendo o principal responsável pela valorização do mercado local nos últimos meses. Se a rotação de recursos globais para mercados emergentes continuar, a probabilidade de o índice local renovar máximas é grande”.
Riscos que podem frear ou reverter a alta
Apesar do otimismo, analistas alertam para maior volatilidade este ano, com dois vetores dominando o risco: a agenda externa ligada a Donald Trump e as eleições brasileiras em outubro.
O g1 destaca episódios recentes que ilustram a sensibilidade do mercado, como a reação negativa ao anúncio de uma pré-candidatura que fez o dólar disparar e a bolsa recuar mais de 4% em um dia.
Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, lembra que a forte alta de 34% do Ibovespa em 2025 foi “puxada exclusivamente por fatores externos” e ressalta problemas fiscais do Brasil, apontando que “alguns países tiveram resultados muito melhores do que o Brasil, como Polônia, Coreia do Sul e a própria Colômbia”.
Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest, observa que políticas comerciais externas e aplicação de tarifas podem pressionar a inflação global e os preços de commodities, o que afetaria resultados corporativos e o apetite por risco.
Projeções e até onde o Ibovespa pode ir em 2026
Se prevalecer o cenário favorável, há espaço para novas máximas históricas, com projeções que variam conforme o grau de otimismo dos analistas.
O Itaú BBA estima um fechamento do ano em 185 mil pontos, a Santander Corretora projeta 195 mil pontos, e leituras mais otimistas apontam possibilidade de o índice superar os 252 mil pontos, com chance de ultrapassar pela primeira vez os 200 mil pontos.
Os especialistas reforçam que o avanço não será linear, e que a volatilidade, alimentada por fatores eleitorais e geopolíticos, deixará o caminho do Ibovespa sujeito a recuos bruscos, mesmo diante de fundamentos que favorecem uma tendência de alta.
Em resumo, a combinação de expectativa de cortes de juros, entrada de capital estrangeiro e percepção de valor em ações sustenta o otimismo da Faria Lima com o Ibovespa, mas a incerteza política e externa pode, a qualquer momento, frustrar essas expectativas.