Ibovespa dispara 12,56% em janeiro, terceira maior alta desde 2010, e avança com cortes de juros, entrada de estrangeiros e cenário eleitoral rumo a 200 mil pontos

Com valorização de 12,56% no mês e alta acumulada de 42,90% em 12 meses, Ibovespa atrai investidores estrangeiros, reage a cortes de juros e convive com volatilidade eleitoral e geopolítica

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, registrou uma valorização expressiva em janeiro e ficou entre os maiores saltos mensais das últimas décadas.

O avanço veio em meio a um movimento global de realocação de capitais e a expectativas sobre queda de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Os dados e as análises usados nesta reportagem são, em sua maioria, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o Ibovespa subiu tanto em janeiro

Em janeiro, o Ibovespa valorizou 12,56%, resultado que o coloca como a terceira maior alta mensal desde 2010, ficando atrás apenas de março de 2016, quando o índice avançou +16,97%, e de novembro de 2020, com alta de +15,90%.

Apesar de ter fechado a sexta-feira (30) em queda de 0,97%, aos 181.364 pontos, o recuo não apagou os ganhos do mês, e o índice acumula uma valorização de 42,90% em 12 meses.

Analistas apontam dois vetores centrais para o rali, juros e fluxo estrangeiro. Do lado dos juros, o Banco Central do Brasil sinalizou que pretende iniciar cortes na Selic em março, com a projeção do mercado de que a taxa caia 2,75 pontos percentuais até o fim de 2026, passando de 15% para 12,25% ao ano.

Nos EUA, o Federal Reserve reduziu a taxa de referência em 2025, levando-a à faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, e há expectativa de novos cortes, o que tende a reduzir o rendimento das Treasuries e tornar ativos de mercados emergentes mais atraentes.

Segundo André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, “Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança“.

Entrada de estrangeiros e dinâmica de mercado

O ingresso de capital externo tem sido determinante. Em 2025, investidores não residentes fizeram compras líquidas na B3 de R$ 25,4 bilhões.

Em 2026, até 20 de janeiro, esses mesmos investidores já somavam R$ 8,7 bilhões líquidos em compras de ações brasileiras, segundo levantamento citado pelo g1.

Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, resumiu a influência externa, “Ou seja, o investidor estrangeiro segue sendo o principal responsável pela valorização do mercado local nos últimos meses. Se a rotação de recursos globais para mercados emergentes continuar, a probabilidade de o índice local renovar máximas é grande“.

Com esse suporte, projeções de instituições variam, mas algumas colocam o índice em patamares bem superiores aos atuais. Analistas do Itaú BBA, por exemplo, veem o Ibovespa encerrando o ano aos 185 mil pontos, uma leitura mais otimista eleva o teto a 252 mil pontos, e a Santander projeta 195 mil pontos ao fim de 2026.

Riscos que podem frear ou inverter a alta

Apesar do otimismo, o consenso entre economistas é que 2026 tende a ser marcado por volatilidade. Dois fatores citados com frequência são a política externa dos EUA, na gestão de Donald Trump, e o calendário eleitoral brasileiro.

O próprio mercado já deu sinais de sensibilidade política. Em dezembro, o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência fez o dólar disparar e a bolsa recuar mais de 4% em apenas um dia, mostrando como notícias políticas podem afetar preços rapidamente.

Há também preocupações fiscais no Brasil. Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, lembrou que a “alta de 34% do Ibovespa em 2025 foi puxada exclusivamente por fatores externos“, e que problemas das contas públicas continuam sendo um desafio estrutural.

André Galhardo acrescenta que, independentemente do vencedor eleitoral, ajustes podem ser necessários, e que “A Faria Lima tende a acreditar que uma reforma nas despesas é mais provável em governos de direita. Mas qualquer vencedor terá de adotar uma política de contenção de gastos, o que pode impactar positivamente o dólar e o mercado de ações no Brasil“.

Até onde o Ibovespa pode ir em 2026

Se o cenário favorável prevalecer, analistas veem espaço para o índice ultrapassar, pela primeira vez, os 200 mil pontos. No entanto, especialistas avisam que os ganhos dificilmente serão lineares, dada a mistura de fluxo externo, expectativa de juros e riscos políticos.

Em resumo, o Ibovespa chega a 2026 em alta, sustentado por cortes de juros esperados e capital estrangeiro, mas seguirá sujeito a episódios de forte oscilação, com o calendário eleitoral e as decisões políticas nos EUA ocupando lugar central no radar dos investidores.