Ibovespa em 2026: por que a Faria Lima aposta na alta com cortes de juros, influxo de estrangeiros e por onde riscos como Trump e eleições podem frustrar
O otimismo da Faria Lima com o Ibovespa se apoia em juros menores, busca por mercados emergentes e compras de estrangeiros, mas enfrenta riscos geopolíticos e eleitorais
O principal índice da B3 vem registrando máxima após máxima e alimentando a expectativa de continuidade da alta em 2026, apoiada em fatores macroeconômicos e fluxos internacionais.
Analistas destacam que cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, aliados à realocação de capitais, explicam grande parte do apetite por ações brasileiras.
Ao mesmo tempo, eventos como as ofensivas do presidente americano Donald Trump e o calendário eleitoral no Brasil ampliam a volatilidade, com potencial de reverter ganhos, conforme informação divulgada pelo g1.
Juros no radar e o Brasil como porto seguro
O mercado espera que o Banco Central comece a reduzir a Selic no primeiro trimestre, com a projeção de queda de 2,75 pontos percentuais até o fim de 2026, levando a taxa de 15% para 12,25% ao ano. Nos EUA, o Federal Reserve cortou a taxa três vezes em 2025, situando o referencial na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor patamar desde 2022.
Na prática, juros mais baixos nos EUA reduzem o rendimento das Treasuries e estimulam a busca por ativos de maior risco, beneficiando mercados emergentes como o Brasil. Sobre isso, André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, afirma, “Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança”.
Entrada de estrangeiros e impacto imediato na bolsa
O aporte de investidores não residentes tem sido determinante. Segundo dados mencionados pela reportagem, em 2025 os estrangeiros aplicaram R$ 25,4 bilhões em compras líquidas na bolsa brasileira, e, em 2026, até 20 de janeiro, já somavam R$ 8,7 bilhões líquidos.
Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, resume a importância desse fluxo, “Ou seja, o investidor estrangeiro segue sendo o principal responsável pela valorização do mercado local nos últimos meses. Se a rotação de recursos globais para mercados emergentes continuar, a probabilidade de o índice local renovar máximas é grande”.
O que pode azedar os ânimos e aumentar a volatilidade
Apesar do cenário favorável, especialistas ressaltam que a palavra de ordem para 2026 será volatilidade. Eventos relacionados a políticas externas e aos rumos fiscais domésticos podem inverter expectativas.
André Galhardo alerta, “Tudo isso pode afetar o ambiente de negócios e trazer problemas para algumas companhias. Esse é o outro lado da balança, com potencial de impacto negativo”. Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest, acrescenta que a política comercial do republicano pode pressionar a inflação global e afetar preços de commodities, “Os resultados das grandes empresas podem desacelerar, deixando o mercado dependente das expectativas em relação às empresas de tecnologia”.
Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, lembra que a forte alta de 2025 foi puxada por fatores externos, e que desafios fiscais no Brasil permanecem, sugerindo que ganhos de mercado podem não refletir totalmente fundamentos locais. Ele afirma, “Porém, é difícil esperar mudanças econômicas do atual presidente. Então, a reeleição de Lula pode causar uma quebra de expectativa no mercado”.
Eleições, projeções e até onde o Ibovespa pode chegar
O calendário eleitoral de outubro aumenta a incerteza, como já foi visto quando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro provocou forte reação no câmbio e na bolsa. Pesquisas mais recentes, por sua vez, ajudaram a acalmar parte do mercado no início de 2026.
Em termos de números, o Ibovespa começou o ano em forte aceleração, renovou máximas históricas e, só em janeiro, registrou sete recordes de fechamento. Em 27 de janeiro, alcançou 181.919 pontos pela primeira vez, acumulando valorização de quase 13% no ano, e de 45% em 12 meses, depois de disparar quase 34% em 2025.
As projeções variam, com instituições como Itaú BBA e Santander estimando cenários que vão de 185 mil até 195 mil pontos ao fim de 2026, e leituras mais otimistas sugerindo possibilidade de superar 200 mil pontos. Rafael Costa destaca a incerteza, “Onde o Ibovespa vai parar? Aos 180 mil, 200 mil, 250 mil pontos? Ninguém sabe. Mas, sim, há uma grande possibilidade de o mercado continuar avançando neste ano”.
Em resumo, o otimismo da Faria Lima em relação ao Ibovespa se baseia em cortes de juros, realocação de capitais e percepções de valor, enquanto fatores como a política de Trump, preços de commodities, saúde das contas públicas e o resultado das eleições brasileiras podem criar oscilações relevantes ao longo de 2026.