Ibovespa sobe 12,56% em janeiro, registra 3ª maior alta em 16 anos e ganha tração com cortes de juros, entrada de estrangeiros e impacto das tensões de Trump rumo a 2026
Alta de janeiro no Ibovespa reflete menor atração das Treasuries, entrada de capital estrangeiro e percepção do Brasil como opção de maior retorno, embora riscos políticos possam aumentar a volatilidade
O principal índice da bolsa brasileira teve um começo de ano expressivo, marcado por forte entrada de recursos externos e por um cenário global que favoreceu ativos de risco.
Apesar da queda ao final de janeiro, o desempenho mensal manteve ganhos relevantes e reacendeu debates sobre até onde o mercado pode avançar em 2026.
Os dados e análises a seguir são apresentados conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o índice subiu tanto em janeiro
O Ibovespa registrou valorização de 12,56% em janeiro, resultado que configura a terceira maior alta mensal desde 2010, atrás apenas de março de 2016, quando avançou 16,97%, e de novembro de 2020, com alta de 15,90%, conforme levantamento de Einar Rivero, da Elos Ayta, citado pelo g1.
Na sexta-feira, o índice encerrou em queda de 0,97%, aos 181.364 pontos, porém o recuo não apagou os ganhos do mês, e o Ibovespa acumula valorização de 42,90% em 12 meses, segundo a mesma apuração do g1.
Principais vetores da alta e projeções para 2026
Do lado macroeconômico, a expectativa de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos tem sido determinante. O Banco Central sinalizou início de redução da Selic em março, e a projeção do mercado é que a taxa, atualmente em 15%, caia 2,75 pontos percentuais até o fim de 2026, para 12,25% ao ano, conforme relato ao g1.
Nos EUA, o Federal Reserve cortou juros três vezes em 2025, levando o referencial à faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor patamar desde setembro de 2022, e há expectativa de novas reduções, pressão que reduz o rendimento das Treasuries e desloca recursos para mercados emergentes.
O economista André Galhardo, da consultoria Análise Econômica, resumiu o efeito, dizendo, “Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança”, conforme publicado pelo g1.
A entrada de investidores estrangeiros também foi decisiva. Em 2025, investidores não residentes aplicaram R$ 25,4 bilhões em compras líquidas na bolsa brasileira, e, em 2026, até 20 de janeiro, já somavam R$ 8,7 bilhões líquidos, informa Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora, citado pelo g1.
Analistas traçam cenários otimistas, com projeções que variam de 185 mil pontos, segundo o Itaú BBA, até leituras mais arrojadas que colocam a possibilidade de ultrapassar 252 mil pontos, enquanto a Santander projeta 195 mil pontos ao fim de 2026.
Riscos que podem frear ou reverter a alta
Mesmo com fundamentos favoráveis, especialistas apontam que 2026 tende a ser um ano de volatilidade para o Ibovespa, em função de fatores geopolíticos e do calendário eleitoral brasileiro.
A atuação do presidente americano Donald Trump em frentes diferentes, e medidas comerciais que podem pressionar a inflação global, são citadas como elementos que empurram recursos para mercados emergentes, mas também podem reverter ofertas e afetar preços de commodities, segundo análises reproduzidas pelo g1.
Rafael Costa, da Cash Wise Investimentos, lembra que a alta de 34% do Ibovespa em 2025 foi puxada em grande parte por fatores externos, e que o Brasil mantém desafios fiscais que podem voltar a pesar, conforme reportagem do g1.
O que observar nas próximas rodadas do mercado
Investidores e gestores devem acompanhar três pontos centrais: a confirmação dos cortes de juros pelo Banco Central e pelo Fed, o fluxo de entrada de capitais externos na B3, e os desdobramentos políticos até as eleições de outubro, que prometem gerar picos de volatilidade.
Se o cenário externo seguir favorável e os cortes de juros ocorrerem, há espaço para que o Ibovespa continue a avançar, embora trajectórias não devam ser lineares, e oscilações bruscas permaneçam prováveis, de acordo com as fontes consultadas pelo g1.