Ibovespa sobe 12,56% em janeiro, terceira maior alta desde 2010, entenda por que investidores estrangeiros e cortes de juros podem levar o índice a novos recordes em 2026
Alta apoiada por entrada de recursos estrangeiros, expectativas de corte de juros no Brasil e nos EUA, e instabilidade geopolítica, fatores que podem manter o ímpeto do mercado em 2026
O mês de janeiro fechou com forte valorização da bolsa brasileira, em um movimento que renovou o apetite por ações locais e atraiu atenção ao cenário político e econômico do país.
Analistas destacam que a combinação de juros mais baixos esperados, e a busca por retornos em mercados emergentes, explica parte do fluxo comprador que empurrou ativos para cima.
Os dados e análises a seguir são apresentados conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o mercado subiu em janeiro
O principal índice da B3 teve valorização de 12,56% em janeiro, resultado que figura entre os maiores desde 2010 e que se soma a uma alta acumulada de 42,90% em 12 meses.
Entre os vetores citados por especialistas estão as expectativas de cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, que tornam ações relativamente mais atrativas frente a títulos mais seguros, e a entrada de capital estrangeiro no mercado doméstico.
Sobre juros, o Banco Central do Brasil sinalizou redução da Selic a partir de março, e a projeção do mercado é de queda de 2,75 pontos percentuais, de 15% para 12,25% ao ano até o fim de 2026. Nos EUA, o Federal Reserve cortou taxas três vezes em 2025, reduzindo o referencial à faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
“Juros mais baixos tornam outros ativos mais atrativos, como as ações. Esse é um lado importante da balança”, explica André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.
Entrada de estrangeiros e impacto nos preços
O investimento internacional tem sido determinante no avanço da bolsa. “Em 2025, investidores não residentes no Brasil aplicaram R$ 25,4 bilhões em compras líquidas na bolsa de valores brasileira”, lembra Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora.
“Em 2026, até 20 de janeiro, esses investidores já somam R$ 8,7 bilhões líquidos em compras de ações brasileiras”, acrescenta Peretti, apontando para o papel preponderante do capital estrangeiro.
Com rendimentos de ativos seguros no exterior em queda, o Brasil passou a ser visto como uma opção com potencial de retorno, além de preços de ações que ainda pareciam atraentes para investidores estrangeiros.
Riscos, volatilidade e o papel das eleições
Apesar do otimismo, especialistas alertam para a volatilidade que deve marcar 2026, em particular por conta das incertezas eleitorais no Brasil e da instabilidade geopolítica ligada às iniciativas do governo americano.
Temas como a imprevisibilidade das políticas externas de Donald Trump, e o calendário eleitoral brasileiro, podem tanto favorecer quanto reverter parte dos ganhos, dependendo de desdobramentos.
Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, lembra que a alta de 34% do Ibovespa em 2025 foi puxada por fatores externos, e ressalta que o Brasil ainda enfrenta desafios fiscais que podem limitar ganhos sustentados.
“Onde o Ibovespa vai parar? Aos 180 mil, 200 mil, 250 mil pontos? Ninguém sabe. Mas, sim, há uma grande possibilidade de o mercado continuar avançando neste ano”, afirma Rafael Costa.
Projeções para 2026 e cenários possíveis
As estimativas divergem conforme o grau de otimismo. Analistas do Itaú BBA projetam encerramento do ano aos 185 mil pontos, enquanto leituras mais otimistas colocam o índice acima de 252 mil pontos. A Santander Corretora projeta 195 mil pontos ao fim de 2026.
O avanço não deve ser linear, e especialistas enfatizam que a continuidade do fluxo de recursos para mercados emergentes e a concretização de cortes de juros serão determinantes para renovação de máximas.
Em suma, o mercado entra em 2026 sustentado por entradas estrangeiras e expectativas de juros menores, com espaço para novas altas, mas também com risco de fortes oscilações ligadas a política, geopolítica e ajustes fiscais.