ICE em Milão: manifestantes protestam contra agentes enviados para as Olimpíadas de Inverno, citam abusos, memória antifascista e pressão sobre autoridades italianas

Protestos em Milão mobilizam partidos, sindicatos e grupos de memória, e destacam preocupação com direitos humanos e participação de agentes estrangeiros na segurança

A mobilização ocorreu na Piazza XXV Aprile no sábado, 31 de janeiro, às vésperas do início dos Jogos Olímpicos de Inverno, e reuniu centenas de pessoas contra a presença de agentes do ICE em Milão.

Os manifestantes afirmaram que a chegada dos agentes, mesmo que em função de investigação e em uma sala de controle, representa uma afronta à memória antifascista e uma preocupação com abusos relatados nos EUA.

Essas informações foram divulgadas em reportagem, conforme informação divulgada pelo g1

O que motivou o protesto

O ato uniu membros do Partido Democrático, da confederação sindical CGIL e da ANPI, organização que preserva a memória da resistência durante a Segunda Guerra Mundial.

Cartazes e faixas expressaram tanto críticas à política externa americana, quanto lembranças da luta antifascista, com frases visíveis entre os presentes.

Algumas das mensagens citadas pelos manifestantes foram, “Não, obrigada. De Minnesota para o mundo, ao lado de todos que lutam pelos direitos humanos”, “’Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para qualquer pessoa” e “ICE só no Spritz”.

Quem são os agentes enviados, e qual será a função deles

Segundo a reportagem, a unidade do ICE escalada para Milão é a Homeland Security Investigations, HSI, que atua em crimes transfronteiriços e costuma ter papel em eventos internacionais.

Os agentes, conforme a cobertura, ficarão alocados em uma sala de controle, sem atuação ostensiva nas ruas, e não se trata da unidade de deportação conhecida como Enforcement and Removal Operations, ERO.

Vozes do protesto e referências fortes

Entre os participantes, havia indignação por cenas relatadas nos Estados Unidos, e críticas diretas à atuação do governo americano, com comparações duras feitas nas placas e falas.

Uma manifestante segurou uma placa com os dizeres, “ICE = Gestapo”, ela disse ainda, “Dá vontade de chorar só de pensar nisso”, e, “É terrível demais. Como eles elegeram um homem tão terrível e perverso?”

Outro participante resumiu a resistência local com a frase, “Mesmo que não sejam os mesmos, não os queremos aqui”.

Reação política e desdobramentos

A notícia do envio dos agentes provocou constrangimento para autoridades italianas, e o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, declarou que os agentes não eram bem-vindos.

O caso levou o Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, a ser convocado ao Parlamento para explicar as razões e condições do envio.

Os organizadores do protesto destacaram que a mobilização não era apenas contra indivíduos, mas contra políticas e ideologias que associaram a práticas de repressão, e pediram vigilância sobre qualquer forma de abuso.

Enquanto as Olimpíadas começam em 6 de fevereiro, a presença da unidade do ICE em Milão permanece sob escrutínio público e político, e o episódio reforça o debate sobre cooperação internacional em segurança, soberania local e proteção de direitos humanos.