FMI avalia que o impacto da guerra contra o Irã na economia global vai variar, conforme duração do conflito, danos na infraestrutura e se alta nos preços da energia será passageira
O vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dan Katz, afirmou que o efeito da guerra contra o Irã sobre a economia global vai depender de quanto tempo o conflito durar, e do tamanho dos danos à infraestrutura e às indústrias da região.
Se a alta nos preços da energia for temporária, a reação dos bancos centrais tende a ser mais contida, mas um choque prolongado pode influenciar expectativas de inflação e levar a mudanças na política de juros, conforme explicou Katz.
Agora, o FMI monitora impactos sobre comércio, atividade econômica, preços da energia e volatilidade dos mercados financeiros, conforme informação divulgada pelo g1
Efeitos imediatos nos preços de energia e nos mercados
Os primeiros sinais já apareceram nos preços do petróleo, após ameaças de ataques ao estreito de Ormuz, com aumento da aversão ao risco nos mercados. Segundo a reportagem, o barril do Brent chegou a US$ 83, cerca de 15% acima do nível da sexta-feira, movimento que pressiona custos de energia no curto prazo.
Movimentos como esse afetam diretamente cadeias produtivas e podem reduzir demanda em setores sensíveis a combustível, além de aumentar a volatilidade em bolsas e câmbio.
Risco para a inflação e resposta dos bancos centrais
Katz destacou que, se a alta da energia for temporária, os bancos centrais tendem a não reagir de imediato, já que costumam dar mais peso à inflação que exclui itens mais voláteis.
No entanto, se o choque for duradouro e começar a afetar as expectativas de inflação, pode haver resposta na política de juros, lembrou o executivo do FMI, citando lições da crise pós-pandemia, quando o aumento dos preços de energia ligado à guerra na Ucrânia pressionou inflação global em 2022.
Impacto regional e setores mais afetados
O FMI também avalia efeitos diretos na região, como danos à infraestrutura e interrupções em setores importantes, como turismo, transporte aéreo e, principalmente, energia.
Esses impactos locais podem reverberar em cadeias internacionais, por meio de redução de oferta, aumento de custos de transporte e interrupções logísticas, elevando o risco de desaceleração do crescimento em economias dependentes de importações de energia.
Cenários, projeções e acompanhamento do FMI
Antes da escalada recente, o FMI projetava crescimento global de 3,3% em 2026, apoiado por investimentos em inteligência artificial e ganhos de produtividade, segundo a matéria.
A instituição diz que o efeito final da guerra contra o Irã na economia global será determinado pela duração do conflito e pelos danos nas indústrias e infraestrutura, e que segue monitorando os desdobramentos para ajustar análises e previsões.
Para mercados e formuladores de política, a mensagem do FMI é clara, o foco deve ser na evolução das expectativas de inflação e no tempo de persistência do choque, fatores que definirão a intensidade da resposta de bancos centrais e o impacto sobre o crescimento mundial.