Imposto sobre bilionários na Califórnia: proposta de 5% sobre fortunas a partir de US$1 bilhão provoca êxodo de investidores e divide democratas em ano eleitoral
Proposta do sindicato SEIU-UHW prevê imposto único, retroativo a 1º de janeiro de 2026, com alíquota progressiva que chega a 5% e destino majoritário para saúde
No fim de 2025, relatos de saídas e mudanças de domicílio fiscal tomaram o Vale do Silício, à medida que bilionários reagiam à possibilidade de um novo imposto estadual.
A sugestão, apresentada pelo sindicato Service Employees International Union-United Healthcare Workers West, prevê tributar residentes com fortunas a partir de US$ 1 bilhão, com alíquota que atinge 5% para quem tem US$ 1,1 bilhão ou mais.
Os detalhes e as reações foram amplamente noticiados, conforme informação divulgada pelo g1
Detalhes da proposta e cálculo do impacto
A medida, elaborada pelo SEIU-UHW com consultoria de especialistas, prevê um imposto único sobre fortunas, retroativo a 1º de janeiro de 2026, pago em até cinco anos. A alíquota aumenta de forma progressiva e linear, partindo de 0% até 5% para fortunas de US$ 1,1 bilhão ou mais.
Na prática, quase todos os afetados pagariam a alíquota máxima, porque, segundo a proposta, apenas um entre os 204 bilionários da Califórnia teria fortuna abaixo de US$ 1,1 bilhão.
Os autores estimam que o imposto poderia arrecadar cerca de US$ 100 bilhões ao longo de cinco anos, ou aproximadamente US$ 20 bilhões por ano, destinando 90% da receita para saúde, e o restante para assistência alimentar e educação.
Reações, ameaças de saída e exemplos públicos
A notícia gerou reações imediatas no Vale do Silício, com algumas figuras públicas anunciando mudanças. Em postagem na rede X, o empresário David Sacks escreveu “Mensagem recebida”, e depois anunciou que a Craft Ventures abriu um escritório em Austin, Texas, e que ele se mudou em dezembro.
Peter Thiel informou que sua Thiel Capital abriu um escritório em Miami, Flórida, e já doou US$ 3 milhões a uma campanha contra a medida. A imprensa também noticiou transferências de ativos de Sergey Brin e Larry Page pouco antes do Natal.
Criticos afirmam que o imposto tributaria participações acionárias e ativos, e que haveria risco de venda de ações para pagar a cobrança, com impacto em empresas e startups. Entre os opositores estão investidores e empresários do setor de tecnologia.
Argumentos a favor, análise fiscal e disputa política
Os proponentes defendem que a medida corrige desequilíbrios, porque os muito ricos pagam menos impostos efetivos que a classe média quando se considera toda a riqueza não realizada.
Segundo Brian Galle, um dos autores, “economistas projetam que a Califórnia perderá cerca de US$ 100 bilhões nos próximos cinco anos” por cortes federais na saúde, e a proposta seria uma forma de compensar esse rombo.
O texto também afirma que “a maioria dos sistemas de imposto de renda tributa os investidores apenas quando vendem seus investimentos”, argumento usado por Darien Shanske para justificar tributar a riqueza em vez da renda.
Viabilidade, disputas legais e cenário eleitoral
A inclusão da proposta na cédula depende da coleta de 875 mil assinaturas, e sua aprovação em votação popular está prevista para a eleição legislativa de novembro. Mesmo se aprovada, analistas esperam contestações judiciais.
O governador democrata Gavin Newsom se posicionou contra a medida, alertando que isso poderia inibir inovação e estimular a saída de contribuintes ricos, enquanto progressistas como o senador Bernie Sanders e o deputado Ro Khanna já declararam apoio.
Assessores fiscais do Legislativo e do Departamento de Finanças estimam que a medida geraria receitas extraordinárias, mas também perdas por eventuais saídas de alguns bilionários. A discussão, portanto, mistura cálculos econômicos, efeitos de curto prazo e um debate político que pode impactar a estratégia eleitoral dos democratas.