Imposto sobre celulares importados terá impacto limitado no preço no Brasil, imposto sobe até 7,2 pontos, Samsung, Motorola e Apple já montam aparelhos aqui

Imposto sobre celulares importados aumenta até 7,2 pontos percentuais, mas montagem local de grandes marcas deve segurar os preços ao consumidor

O governo elevou o imposto de importação para mais de mil produtos, entre eles celulares, com a intenção de tornar itens estrangeiros mais caros e favorecer a produção nacional.

Analistas e fabricantes dizem que o efeito direto no bolso do consumidor será limitado, porque marcas como Samsung, Motorola e Apple já montam aparelhos no país.

Conforme informação divulgada pelo g1, a medida pode encarecer modelos importados, mas não atinge smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos comprados no país em 2025.

Por que o impacto deve ser pequeno

Segundo especialistas, a maior parte das vendas do varejo nacional vem de aparelhos montados localmente, por isso o aumento do imposto sobre celulares importados não deve puxar a inflação dos eletrônicos de forma significativa.

Conforme informação divulgada pelo g1, as principais empresas do setor, como Samsung, Motorola e Apple, já montam celulares no Brasil, segundo Eduardo Tude, presidente da Teleco.

A Apple, por exemplo, não tem fábrica própria no país, mas conta com a Foxconn no interior de São Paulo, responsável por montar iPhones destinados ao mercado brasileiro.

Quem pode sentir mudança nos preços

A medida atinge sobretudo marcas que não montam ou fabricam no Brasil, como Xiaomi e Realme, que podem repassar o aumento do imposto para consumidores que compram produtos diretamente do exterior.

Roberto Beninca, advogado tributarista e sócio da MBW Advocacia, observa que muitos consumidores importam por questões de preço, tecnologia e percepção de valor, mesmo com oferta interna.

Beninca ressalta que a decisão de compra não se baseia apenas na existência de oferta interna, então modelos importados com melhor custo-benefício podem continuar sendo buscados.

Exemplo prático do aumento

Para ilustrar, o advogado considera um aparelho importado com valor de US$ 600, usando câmbio de R$ 5 por dólar, o que dá R$ 3 mil.

Ele explica, imaginando que, antes da medida, a alíquota do imposto de importação fosse de 16%, naquele cenário o valor do imposto seria de R$ 480, totalizando R$ 3.480 após essa etapa.

Com o aumento de 7,2 pontos percentuais, a alíquota passaria para 23,2%, e o imposto sobre os mesmos R$ 3 mil seria de R$ 696, elevando o custo para R$ 3.696 apenas na fase inicial da importação.

Beninca lembra que esse não é necessariamente o preço final ao consumidor, porque sobre esse custo incidem margens do importador, despesas logísticas, tributos internos e margem do varejo.

O que diz o governo e o efeito fiscal

O Ministério da Fazenda informou que a medida busca reequilibrar preços entre produtos estrangeiros e nacionais, e que garante tarifa zero para componentes não produzidos no país.

Em nota, o governo ressaltou, com a citação, “A decisão também garante tarifa zero de imposto de importação para todo componente usado pela indústria que não seja produzido no país (ou seja, que não tenha produção nacional similar)”, completou o Ministério da Fazenda.

Conforme informação divulgada pelo g1, a mudança teve como base a avaliação de dependência externa do setor, com a China respondendo por 46% das importações desses bens, e o Vietnã aparecendo com 7,9%.

O Ministério da Fazenda estima que arrecadará R$ 14 bilhões a mais neste ano com o aumento do imposto de importação incidente sobre os mais de mil produtos, e que essa receita ajudará a cumprir metas fiscais do governo.

Especialistas alertam para riscos pontuais, como a escassez global de memória RAM, que pode agravar efeitos de custo, porque fornecedores têm direcionado produção para chips avançados usados em data centers de inteligência artificial.

No balanço, o aumento do imposto sobre celulares importados deve reduzir a atratividade de compras diretas do exterior, mas, conforme informação divulgada pelo g1, a ampla montagem local das grandes marcas deve limitar impactos visíveis nos preços praticados no varejo brasileiro.