Imposto sobre celulares importados terá pouco impacto nos preços do Brasil, 95% dos aparelhos são montados aqui, veja quem pode sentir diferença com aumento de até 7,2 pontos
O aumento do imposto sobre celulares importados busca proteger a indústria nacional, mesmo assim, com 95% dos aparelhos montados no país, o efeito direto sobre o varejo deve ser restrito
O governo federal elevou o imposto de importação sobre mais de mil produtos, entre eles celulares, com a meta de reequilibrar preços entre bens estrangeiros e nacionais, e reforçar a competitividade da produção local.
Apesar do ajuste, a medida não atinge os smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos comprados no país em 2025, enquanto os outros 5% são importados, em sua maioria da China, segundo o MDIC.
Marcas como Samsung, Motorola e Apple já fazem montagem aqui, o que explica por que, na prática, o impacto tende a ser pequeno para a maior parte do mercado.
conforme informação divulgada pelo g1
Por que o impacto será limitado
O principal motivo é que a maior parte dos celulares vendidos no Brasil é montada localmente, mesmo quando peças vêm do exterior. Especialistas e órgãos do governo afirmam que a medida não atinge os aparelhos produzidos no país.
Eduardo Tude, presidente da Teleco, destaca que empresas importantes do setor já montam celulares no Brasil, o que preserva a cadeia local de oferta, e o Ministério da Fazenda informou que há, também, tarifa zero para componentes que não tenham produção nacional similar.
Quanto o imposto pode subir na importação e no varejo
O governo autorizou aumentos que podem chegar a 7,2 pontos percentuais em alíquotas de importação para celulares e outros bens de tecnologia. O impacto na ponta depende de margens, logística e tributos internos, portanto o aumento de custo na importação não se traduz automaticamente no preço ao consumidor.
Para ilustrar, o advogado tributarista Roberto Beninca apresenta um exemplo prático, com números concretos: um aparelho avaliado em US$ 600, com câmbio de R$ 5 por dólar, tem custo convertido de R$ 3 mil. Se a alíquota anterior fosse 16%, o imposto inicial seria R$ 480, elevando o custo para R$ 3.480.
Com o aumento de 7,2 pontos percentuais, a alíquota subiria para 23,2%, e o imposto sobre os mesmos R$ 3 mil seria R$ 696, elevando o custo na fase inicial para R$ 3.696, sem contar margens e tributos posteriores, observou Beninca.
Quem pode ser mais afetado
A medida tende a atingir com mais força marcas que não têm linhas de montagem no país, como ocorre com algumas fabricantes chinesas que enviam produtos prontos ao Brasil. O MDIC citou a Xiaomi como exemplo de empresa que não monta no Brasil.
Consumidores que optam por importar aparelhos por preço ou características técnicas podem sentir maior diferença, porque muitos modelos comprados no exterior ainda oferecem custo-benefício que compensa tributos e frete, conforme análise de especialistas.
Orçamento público e riscos para oferta
O Ministério da Fazenda estima arrecadar R$ 14 bilhões a mais neste ano com o aumento do imposto sobre os mais de mil produtos incluídos na medida, o que ajuda o governo a cumprir a meta de superávit nas contas públicas.
Analistas, no entanto, apontam riscos, como pressão sobre componentes sensíveis, por exemplo memória RAM, cuja oferta global tem sofrido alterações por redirecionamento de produção para chips de inteligência artificial, o que pode pressionar preços independente do imposto.
Em resumo, o imposto sobre celulares importados deve ter impacto limitado nos preços praticados no Brasil por conta da montagem local de aparelhos, mas poderá encarecer modelos totalmente importados e influenciar decisões de compra de consumidores que buscam modelos específicos.