quinta-feira, junho 4, 2026

Inadimplência sobe a 5,5% em janeiro com Selic a 15%, queda de concessões de 18,9% e spread em 34,3 pontos, maior nível desde 2017 preocupa consumidores e empresas

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Inadimplência atinge 5,5% em janeiro, maior nível desde agosto de 2017, enquanto juros em 15% ao ano, queda nas concessões e spread em alta pressionam o crédito

A inadimplência de empréstimos com recursos livres subiu para 5,5% em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2017, conforme os números divulgados pelo Banco Central.

O movimento ocorre em meio a juros elevados, com a taxa básica Selic em 15% ao ano, e a retração das liberações de crédito pelos bancos.

Os dados foram divulgados em relatório recente, conforme informação divulgada pelo g1.

O que os números mostram

O indicador avançou de 5,4% em dezembro para 5,5% em janeiro, e a alta foi de 1,1 ponto percentual em 12 meses, segundo o Banco Central.

A concessão de empréstimos caiu 18,9% em janeiro na comparação com dezembro, e o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.

Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2%, e nos financiamentos com recursos direcionados a queda foi de 32,9%.

Causas e sinais de trajetória

Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior, enquanto os recursos direcionados marcaram 11,6% ao ano, com avanço de 0,2 ponto.

O spread bancário nas operações com recursos livres chegou a 34,3 pontos percentuais, ante 33,0 pontos em dezembro, ampliando o custo efetivo do crédito para tomadores.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o Banco Central atribuiu o aumento da inadimplência ao longo de 2025 principalmente a mudanças nas regras de classificação de crédito, mas afirmou já observar “alguns sinais de estabilização” do indicador.

Impacto para consumidores e empresas

Juros mais altos, menor oferta de crédito e spread ampliado tornam mais caro e mais difícil rolar dívidas e obter novos empréstimos, afetando consumo e investimentos.

Com menos crédito disponível e custos maiores, famílias e empresas podem adiar compras e projetos, o que também alimenta um ciclo de desaceleração econômica.

Se a Selic começar a ser reduzida, conforme sinalizado pelo Banco Central, a pressão sobre a inadimplência pode diminuir ao longo do ano, mas o ajuste dependerá da velocidade da queda dos juros e da recuperação da concessão de crédito.

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