Inadimplência sobe a 5,5% em janeiro, maior nível desde 2017, com Selic a 15%, crédito em queda e spread em alta, entenda riscos para famílias e empresas
Com juros ainda elevados e restrição ao crédito, inadimplência cresce, concessões recuam e custos bancários pressionam famílias e empresas
A inadimplência voltou a subir no início de 2026, pressionada por juros altos e menor oferta de crédito, cenário que afeta tanto consumidores quanto empresas.
Em janeiro, o índice de atrasos em empréstimos com recursos livres chegou a níveis não vistos desde 2017, enquanto bancos cobram taxas mais altas e o spread aumenta.
Os dados que mostram esse movimento foram divulgados pelo Banco Central, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mostram os números
Segundo o Banco Central, a **inadimplência** em empréstimos com recursos livres subiu para **5,5% em janeiro**, o maior nível desde agosto de 2017, ante **5,4% em dezembro**.
Na comparação em 12 meses, a alta foi de **1,1 ponto percentual**, em um contexto no qual a taxa básica Selic está em **15% ao ano**.
Crédito em retração e juros mais altos
A concessão de empréstimos caiu **18,9% em janeiro** em relação a dezembro, e o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou **0,2%**, para **R$ 7,116 trilhões**.
Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram **17,2%**, enquanto nos financiamentos com recursos direcionados a queda foi de **32,9%**.
Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para **47,8% ao ano em janeiro**, alta de **1,2 ponto percentual** em relação a dezembro, e nos recursos direcionados a taxa ficou em **11,6% ao ano**, com avanço de **0,2 ponto percentual**.
Spread e sinais do Banco Central
O chamado spread bancário, diferença entre custo de captação e taxa cobrada do cliente, aumentou para **34,3 pontos percentuais** nas operações com recursos livres, ante **33,0 pontos** em dezembro.
No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central atribuiu o aumento da inadimplência ao longo de 2025 principalmente a mudanças nas regras de classificação de crédito, e afirmou já observar, “alguns sinais de estabilização” do indicador.
O que muda para consumidores e empresas
Com menos crédito disponível e juros mais altos, consumidores tendem a postergar compras e renegociações, e pequenas e médias empresas enfrentam custo maior para capital de giro.
A expectativa do mercado é que o Banco Central mantenha a Selic no patamar atual, embora a autoridade tenha sinalizado que pode começar a cortar a taxa no próximo mês, diante de sinais de desaceleração da economia.
Os números divulgados pelo Banco Central mostram um ambiente de maior risco de crédito, e a combinação de **inadimplência em alta**, **concessões em queda** e **juros elevados** indica atenção redobrada de famílias, empresas e formuladores de política econômica.