Inadimplência sobe a 5,5% em janeiro, maior nível desde agosto de 2017, e pressiona crédito com queda nas concessões, juros e spread em alta
Com a inadimplência em 5,5% em janeiro, Selic a 15% ao ano, concessões em queda e spread em 34,3 pontos, famílias e empresas enfrentam mais custo
A inadimplência voltou a subir no início de 2026, pressionada por juros altos e menor oferta de crédito pelos bancos.
O indicador atinge níveis que não eram observados desde 2017, em um contexto em que taxas e custos bancários avançam, reduzindo o fôlego de consumidores e empresas.
Os dados oficiais mostram recuos nas concessões e no estoque de crédito, e sugerem impacto direto nas condições de financiamento, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mostram os números mais recentes
Segundo o Banco Central, a inadimplência atingiu 5,5% em janeiro, maior nível desde agosto de 2017. Em dezembro, o índice estava em 5,4%, e a alta em 12 meses foi de 1,1 ponto percentual.
Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, mantendo o custo do crédito elevado para tomadores.
Concessões, estoque e segmentos afetados
Os bancos reduziram a liberação de empréstimos, com a concessão de empréstimos caindo 18,9% em janeiro na comparação com dezembro. Com isso, o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.
Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês. Nos financiamentos com recursos direcionados, a queda foi mais intensa, de 32,9%.
Juros bancários e spread, pressão sobre tomadores
Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, a taxa ficou em 11,6% ao ano, com avanço de 0,2 ponto no período.
O chamado spread bancário, diferença entre o custo de captação e a taxa final ao cliente, também aumentou, chegando a 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro. Esse aumento eleva o custo efetivo dos empréstimos e pode pressionar novas altas na inadimplência.
Posição do Banco Central e perspectivas
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o BC atribuiu o aumento da inadimplência ao longo de 2025 principalmente a mudanças nas regras de classificação de crédito, mas afirmou já observar "alguns sinais de estabilização" do indicador.
O Banco Central manteve os juros no patamar mais alto em quase duas décadas após interromper um ciclo agressivo de aperto em julho, e sinalizou que pode começar a cortar a Selic no próximo mês, diante de sinais mais claros de desaceleração da economia.
Analistas e agentes de crédito acompanharão a evolução da inadimplência, da Selic e do movimento dos bancos nas concessões, para avaliar se a tendência recente se reverte ou se haverá maior aperto nas condições de financiamento para famílias e empresas.