Inadimplência sobe para 5,5% em janeiro, maior nível desde 2017, com juros a 15%, queda de concessões e spread em alta, impactos para famílias e empresas

Inadimplência em alta pressiona consumo e crédito, Selic a 15% e spread em 34,3 pontos percentuais elevam custo do empréstimo, concessões caem e estoque recua

A inadimplência atingiu 5,5% em janeiro, maior nível desde agosto de 2017, em um cenário de juros elevados e retração das concessões, que já diminui o fôlego do consumo.

O custo do crédito segue alto, com a taxa básica Selic em 15% ao ano, enquanto bancos aumentam juros e o spread, reduzindo o acesso de famílias e empresas a empréstimos.

Ao mesmo tempo, o estoque de crédito recuou e novas operações caíram fortemente, deixando sinais claros de aperto no mercado de crédito, conforme informação divulgada pelo g1

O que mostram os números

A inadimplência atingiu 5,5% em janeiro, maior nível desde agosto de 2017, enquanto em dezembro, o índice estava em 5,4%.

Na comparação em 12 meses, a alta foi de 1,1 ponto percentual, em um contexto de juros ainda elevados, a taxa básica Selic está atualmente em 15% ao ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o BC atribuiu o aumento da inadimplência ao longo de 2025 principalmente a mudanças nas regras de classificação de crédito, mas afirmou já observar “alguns sinais de estabilização” do indicador.

Crédito mais caro e menor oferta

Os dados mostram também que a concessão de empréstimos caiu 18,9% em janeiro na comparação com dezembro, e com isso, o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.

Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês, já nos financiamentos com recursos direcionados a queda foi mais intensa, de 32,9%.

Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior, enquanto nos recursos direcionados a taxa ficou em 11,6% ao ano, com avanço de 0,2 ponto no período.

Spread em alta e efeitos para consumidores

O chamado spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, também aumentou, chegando a 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro.

Com juros efetivos mais altos e oferta menor, famílias tendem a adiar compras financiadas e empresas a postergar investimentos, elevando o risco de desaceleração da atividade.

O que pode mudar nos próximos meses

O Banco Central manteve os juros no início do ano no patamar mais alto em quase duas décadas, mas sinalizou que pode começar a cortar a Selic no próximo mês, diante de sinais mais claros de desaceleração da economia, o que pode aliviar o custo do crédito se confirmado.

Enquanto a perspectiva de cortes existe, o atual quadro de inadimplência em alta, juros elevados e menor concessão de crédito tende a manter pressão sobre consumo e investimento até que haja queda consistente nas taxas e recuperação da oferta de crédito.