Incêndio em bar na Suíça mata 40 em festa de Ano-Novo, dono do Le Constellation nega irregularidades, investigação aponta velas e sinalizadores

Incêndio em bar na Suíça, proprietário diz que local passou por “três inspeções em dez anos”, 40 mortos e 119 feridos em Crans-Montana, autoridades apuram causas

Um incêndio durante uma festa de Ano-Novo em um bar de Crans-Montana, nos Alpes suíços, deixou, segundo as autoridades, 40 mortos e 119 feridos, em sua maioria jovens.

O fogo começou por volta de 1h30 do dia 1º de janeiro, e testemunhas dizem que as chamas teriam se iniciado após uma vela ou sinalizador ser aceso perto do teto do estabelecimento.

Os responsáveis pelo local afirmam que seguiram normas de segurança e que vão colaborar com as investigações, conforme informação divulgada pelo g1.

Versão dos proprietários e inspeções

Os donos do bar Le Constellation, Jacques e Jessica Moretti, disseram que o estabelecimento foi submetido a “três inspeções em dez anos” e que “tudo foi feito dentro das normas”. Jacques administra o local em sociedade com a esposa.

Segundo o site da estação de esqui, o bar ocupa o térreo de um prédio residencial e tem capacidade para 300 pessoas, mais 40 na varanda. Testemunhas relataram que o espaço de eventos no subsolo, onde o fogo começou, estava ligado ao térreo por uma escada, descrita por alguns como “estreita”.

Suspeita sobre a origem do incêndio

A promotora do cantão de Valais, Béatrice Pilloud, disse que tudo indica que “o fogo teve origem em sinalizadores ou velas tipo sinalizadores colocadas sobre garrafas de champagne”. A hipótese é um dos eixos centrais da investigação.

Fotos e vídeos amplamente divulgados nas redes sociais mostram pessoas erguendo garrafas com sinalizadores dentro do bar poucos instantes antes das chamas se espalharem pelo teto e pelo ambiente fechado.

Vítimas, identificação e nacionalidades

O chefe da polícia regional, Frédéric Gisler, informou que a maioria das vítimas foi encontrada no bar. Das 119 pessoas feridas, 113 já foram “formalmente” identificadas, e os procedimentos seguem para as demais.

Entre os identificados, estão 71 suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, além de um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português. Para outros 14 feridos a nacionalidade ainda não foi estabelecida.

Até o momento, as autoridades divulgaram apenas um nome entre as vítimas fatais, o de Emanuele Galeppini, italiano de 16 anos. Em nota nas redes sociais, o Itamaraty informou que “não há registro, até o momento, de vítimas brasileiras”.

Andamento das investigações e próximas etapas

Os proprietários foram ouvidos como testemunhas e forneceram informações sobre reformas recentes, a disposição do local e a lista de presentes, explicou a promotora. Até a última atualização, não havia sido atribuída responsabilidade penal aos donos.

As autoridades vão analisar laudos técnicos, imagens e depoimentos para confirmar a origem e as causas que levaram à rápida propagação do fogo, e, conforme a investigação, irão avaliar se houve falhas nas medidas de segurança do estabelecimento.

As declarações do casal e as evidências recolhidas nas primeiras horas ajudam a compor o inquérito, enquanto familiares e moradores aguardam a conclusão dos procedimentos de identificação e a apuração completa dos fatos, com o objetivo de esclarecer responsabilidades e evitar novas tragédias.