Inflação na Argentina manteve ritmo mensal entre 2% e 3%, dezembro foi 2,8%, peso perdeu quase 40% no ano, swap com os EUA de até US$ 40 bilhões ajudou a segurar o câmbio
A Argentina encerrou 2025 com inflação de 31,5% no Índice de Preços ao Consumidor, segundo dados oficiais do país.
O resultado representa forte desaceleração em relação a 2024, quando os preços subiram 117,8% em média anual, e chegou a acelerar em dezembro com uma taxa mensal de 2,8%.
As informações são do Instituto Nacional de Estatística e Censos, divulgadas nesta terça-feira, dia 13, conforme informação divulgada pelo g1.
Como a inflação evoluiu ao longo de 2025
Após a hiperinflação de 2024, o ritmo mensal em 2025 ficou majoritariamente entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%.
No entanto, a partir de maio os números passaram a indicar uma aceleração gradual, e dezembro registrou 2,8% no mês, acima dos 2,5% de novembro, mostrando que o processo de descompressão de preços ainda não era linear.
Medidas econômicas e efeitos nos preços
O governo de Javier Milei aplicou um ajuste econômico abrangente, cortando subsídios e suspendendo repasses federais, o que elevou tarifas de água, gás, luz e transporte.
Essas mudanças impulsionaram aumentos em preços ao consumidor, mesmo com o objetivo oficial de manter a inflação abaixo de 2% ao mês, meta mencionada pela equipe econômica do governo.
Crise política, câmbio e apoio externo
No segundo semestre de 2025, uma crise política afetou as expectativas, após denúncias envolvendo Karina Milei, o que levou a uma forte perda de confiança no mercado.
O peso argentino derreteu quase 40% ao longo do ano, chegando a cotar 1.451,50 por dólar, e atingiu um mínimo anterior de 1.423 por dólar após eleições provinciais em setembro.
Para conter a volatilidade, os Estados Unidos e a Argentina formalizaram um swap cambial de US$ 20 bilhões, e houve a promessa de outro incentivo do mesmo valor, elevando o apoio a até US$ 40 bilhões, medida que aumentou o volume de dólares nas reservas e ajudou a reduzir a pressão sobre o câmbio.
Acordos com o FMI e sinais para investidores
Em abril de 2025, o governo fechou um acordo de empréstimo com o Fundo Monetário Internacional de US$ 20 bilhões, com a primeira parcela de US$ 12 bilhões liberada pouco depois, o que foi interpretado como voto de confiança no programa econômico do presidente.
Com a flexibilização de controles cambiais, o Banco Central ensaiou o fim da paridade fixa e adotou câmbio flutuante, mas precisou intervir novamente diante da deterioração nos mercados.
Além de reduzir a inflação, o governo busca reforçar reservas, estabilizar o câmbio e atrair investimentos, mantendo um ajuste fiscal que já tem gerado superávits em algumas leituras, segundo dados oficiais.
Os números oficiais, e o impacto político e econômico que os cerca, devem orientar as discussões sobre a continuidade das reformas e a capacidade do governo de controlar preços em 2026.