INPC fecha em 3,90% e reajuste das aposentadorias acima do mínimo ficará abaixo do IPCA, veja impacto no teto do INSS, no salário mínimo e no poder de compra
Com IPCA em 4,26% em 2025, o reajuste das aposentadorias acima do mínimo pelo INPC fica abaixo da inflação oficial, confira números, teto e mudanças para 2026
O fechamento do índice usado para corrigir benefícios pagos acima do piso mostrou diferença frente à inflação oficial do país, com impacto direto no poder de compra dos segurados.
O INPC acumulou alta menor que a do IPCA, o que implica que o reajuste das aposentadorias acima do mínimo não repõe totalmente a inflação de 2025.
Os dados e estimativas citados a seguir são, conforme informação divulgada pelo g1.
Como ficaram INPC e IPCA em 2025
O INPC fechou em 3,90% em 2025, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, referência geral da inflação, encerrou o ano com alta de 4,26%.
Em dezembro, o INPC teve alta de 0,21%, resultado 0,18 ponto percentual acima do observado em novembro, que foi de 0,03%.
O IPCA registrou variação de 0,33% em dezembro, confirmando o acumulado anual de 4,26% em 2025.
O que muda no pagamento e no teto do INSS
Como o INPC é o índice que serve de base para a correção dos benefícios pagos acima do salário mínimo, a diferença entre os dois indicadores sinaliza perda de poder de compra para esse grupo de segurados ao longo do período.
Com o reajuste promovido pelo INPC, o teto da Previdência Social deverá subir de R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55 em 2026, segundo as contas apresentadas.
A aplicação do novo teto, entretanto, ainda depende da publicação de portaria do governo federal no Diário Oficial da União, que oficializa os valores a serem pagos.
Salário mínimo e grupos de itens que mais influenciaram
Para quem recebe um benefício no valor do salário mínimo, o reajuste é automático e acompanha a atualização do piso nacional.
O novo valor do salário mínimo, de R$ 1.621, passou a valer a partir da quinta-feira passada, dia 1º.
No ano, os preços dos produtos alimentícios subiram 2,63%, enquanto os não alimentícios tiveram alta de 4,32%.
Em dezembro, os alimentícios aceleraram de queda de -0,06% em novembro para alta de 0,28%, e os itens não alimentícios variaram 0,19%, ante 0,06% no mês anterior.
Variações regionais e contexto das regras de aposentadoria
Entre as regiões pesquisadas em dezembro, Porto Alegre registrou a maior variação, de 0,57%, influenciada pelas altas da energia elétrica residencial e das carnes.
Curitiba teve a menor variação, com queda de -0,22%, associada a recuos da energia elétrica residencial e das frutas.
No acumulado de 2025, a maior variação regional foi observada em Vitória, com 4,82%, puxada pelas altas da energia elétrica residencial e do aluguel residencial.
O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979 e é usado como índice de reajuste de aposentadorias desde 2003, referindo-se às famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos.
Para 2026, além do impacto do índice, há mudanças nas regras de aposentadoria para quem já contribuía antes da reforma de 2019, com ajustes graduais que vão até 2031.
Em 2026, a idade mínima sobe seis meses, ficando em 59 anos e seis meses para mulheres e 64 anos e seis meses para homens. O tempo de contribuição permanece em 30 anos para mulheres e 35 anos para homens, e a regra dos pontos exige 93 pontos para mulheres e 103 pontos para homens.