A inspeção técnica do TCU no Banco Central vai apurar indícios de problemas de liquidez em 2024 no Banco Master, e esclarecer por que a liquidação ocorreu mesmo com proposta de compra
O Tribunal de Contas da União determinou que técnicos façam uma verificação nas respostas e documentos do Banco Central sobre o processo que levou à liquidação do Banco Master.
O relator sorteado para conduzir o caso, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou que ainda não há conclusão formada, e que a análise será técnica e levada ao plenário do TCU.
As diligências serão guiadas pela resposta do Banco Central ao tribunal e devem começar nesta semana, com atuação da área que fiscaliza bancos, a AudBancos, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a inspeção pretende apurar
A inspeção vai concentrar-se em dois pontos centrais, primeiro, os indícios já registrados em 2024 de que o Banco Master enfrentava problemas de liquidez, segundo, os motivos que levaram à decisão de liquidação, apesar de existir uma proposta de compra pela Fictor, com apoio de um fundo árabe.
Segundo a documentação citada pelo TCU, a equipe técnica deverá analisar cronologias, trocas de comunicações internas e os fundamentos jurídicos e técnicos usados pelo Banco Central para decretar a liquidação em novembro.
Como se deu a decisão sobre a inspeção
O relator, ex-deputado federal Jhonatan de Jesus, afirmou que foi sorteado após pedidos de diligência do Ministério Público de Contas, enviados em dezembro de 2025, que questionaram o negócio entre o BRB e o Master e as tratativas finais da liquidação.
Ele disse, na conversa com o blog, que “Não há conclusão formada antes da verificação técnica dos fatos”, frase que reafirma a postura de aguardar o exame detalhado dos autos.
No despacho, o ministro também registrou que, “sob o ângulo regimental, não procede à premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado”, e que, diante da repercussão pública, o tema deveria ser submetido ao plenário.
Reunião entre TCU e Banco Central e reação do mercado
Na segunda-feira, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo Filho, e outros integrantes do tribunal se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na sede do BC, para buscar conciliar a fiscalização do TCU com a autonomia do regulador.
Vital do Rêgo afirmou que a ação do tribunal traz “segurança jurídica” ao processo, e estimou que a inspeção, como procedimento, deve durar menos de um mês.
O Banco Central chegou a questionar se a inspeção poderia ser determinada por um único ministro, argumento que levou Jhonatan de Jesus a levar a discussão ao plenário, antes de o BC recuar do pedido de impugnação após o encontro.
O episódio provocou reações do setor bancário. Em nota, a Federação Brasileira de Bancos declarou confiança na decisão do BC e afirmou que “a solidez e a resiliência do setor bancário e a independência do regulador do sistema financeiro são um ativo e um patrimônio nacional”.
Além disso, a federação disse que “A força do setor bancário se alicerça na força do regulador, que somente se sustenta com respeito, credibilidade e dignidade institucional, pilares que sempre forjaram a atuação do Banco Central brasileiro”.
Próximos passos e impacto institucional
Técnicos do TCU, pela AudBancos, iniciam as diligências com base na resposta formal enviada pelo Banco Central ao tribunal, avaliando documentos e cronologias do processo de liquidação.
O relator levará o resultado da inspeção ao gabinete e, em seguida, ao plenário do TCU, que decidirá eventuais encaminhamentos. O caso mantém alta dimensão pública, por envolver decisões do regulador financeiro e possíveis efeitos sobre confiança no sistema bancário.
Fontes citadas no processo incluem detalhes sobre a liquidação decretada em novembro e menções à oferta de aquisição pela Fictor, com participação de fundo árabe, temas que deverão ser esclarecidos na inspeção técnica em curso.