Investidor do Will Bank a partir de 2024 que já resgatou limite de R$ 250 mil do Master perde direito ao FGC, saiba quem fica sem garantia e como solicitar reembolso
O investidor do Will Bank que já recebeu o limite de R$ 250 mil na liquidação do Banco Master deixará de ter cobertura do FGC, entenda as regras, o impacto para credores e o passo a passo para pedir o ressarcimento
Clientes do Will Bank não terão direito a pagamentos adicionais do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, se já tiverem sacado o teto de cobertura de R$ 250 mil por causa da liquidação do Banco Master.
A medida vale porque as instituições integram o mesmo conglomerado financeiro, por isso os saldos são considerados de forma consolidada por CPF ou CNPJ.
As informações foram reunidas a partir de documentos e comunicados sobre a liquidação e o ressarcimento, conforme informação divulgada pelo g1
Quem fica sem proteção do FGC
O ponto central para o investidor do Will Bank é simples, se compensado pelo Master: não há pagamento extra. Segundo nota do fundo, “Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro”.
Na prática, isso significa que quem já recebeu até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ na liquidação do Banco Master não terá novo reembolso quando o Will Bank for liquidado, pois o limite do FGC é aplicado por conglomerado.
Como o limite é consolidado entre as instituições
O FGC detalhou que, a partir de determinada data, os produtos nas duas instituições serão somados por cliente. A nota aponta, “A partir de 22/08/2024, nos casos em que o cliente possua produtos em ambas as instituições, os valores serão consolidados por CPF ou CNPJ, respeitando o limite de R$ 250 mil”.
Clientes que compraram produtos antes da aquisição do Master, em 21/08/2024, continuam com a garantia preservada, segundo o comunicado do fundo, mas a consolidação passa a valer a partir de 22/08/2024.
Quanto o FGC terá de pagar e quantos credores estão envolvidos
A instituição alvo da liquidação tem, segundo levantamentos citados, cerca de R$ 6 bilhões investidos que são elegíveis ao ressarcimento via FGC. Em outras apurações, o FGC estimou que terá de ressarcir aproximadamente R$ 6,3 bilhões a clientes do grupo.
O processo já mobilizou centenas de milhares de pessoas, “Cerca de 600 mil credores já fizeram o pedido”, dos quais 400 mil concluíram o pedido, e o FGC estima que “800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento”.
Como solicitar o reembolso e prazos
O pedido de pagamento da garantia para pessoas físicas deve ser feito pelo aplicativo do FGC, disponível no Google Play e na Apple Store. O registro exige cadastro com nome completo, CPF e data de nascimento, e a solicitação só fica disponível após o envio, pelo liquidante, da lista completa de credores e valores devidos ao fundo.
Depois de solicitada, a transferência é feita para conta bancária de titularidade do beneficiário, com validação biométrica quando exigida. Para pessoas jurídicas, o representante legal precisa usar o Portal do Investidor, e a transferência será para conta em nome da empresa.
O FGC esclarece que “o pagamento é feito por transferência para uma conta-corrente ou poupança, de mesmo CNPJ, em nome da empresa”, e que casos envolvendo inventário ou espólio serão tratados diretamente pelo fundo, sem possibilidade de solicitação pelo aplicativo.
O que resta ao investidor que ultrapassou R$ 250 mil
Valores acima do teto de cobertura do FGC, de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, continuam sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master. Nesses casos, o credor integra a massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento total dos valores.
Ao receber a liberação do FGC, usuários devem conferir se a compensação consumiu o limite de R$ 250 mil, pois isso afeta o direito a futuros pagamentos relacionados a outras instituições do mesmo conglomerado.
Contexto e consequências
O Banco Central decretou a liquidação do Will Bank na manhã de 21/08/2024, em sequência à intervenção que abrangia o conglomerado do Banco Master. A medida interrompe operações, trava transações pelos clientes e transfere a administração ao liquidante nomeado pelo BC.
Além do impacto imediato sobre contas e aplicações, o episódio coloca em evidência práticas contestadas no Master, como a emissão de CDBs de alto juro e operações que foram alvo de investigações policiais, fatores que contribuíram para a crise e para a necessária intervenção e liquidação.
Se você tem recursos no Will Bank ou em qualquer instituição ligada ao Master, verifique seu histórico de ressarcimento junto ao FGC, acompanhe notificações pelo aplicativo do fundo e, em caso de dúvidas sobre consolidação de saldos por CPF ou CNPJ, consulte o canal oficial do FGC ou o liquidante indicado pelo Banco Central.