Investigação do BC no caso Master aponta que liquidação poderia ter ocorrido antes, e coloca sob escrutínio a gestão Campos Neto desde 2019
Auditoria interna do Banco Central acompanha decisões desde 2019 no caso Master, analisa autorização da compra, consolidação em dois anos e sinais de liquidez em 2024
A abertura de investigação interna no Banco Central mira a cronologia das medidas tomadas em torno do caso Master, com foco nas ações adotadas desde 2019.
O objetivo é apurar se houve atraso na adoção de providências, incluindo a possibilidade de que a liquidação da instituição deveria ter ocorrido antes, segundo as linhas de trabalho da auditoria.
As apurações consideram decisões sobre transferência de controle, consolidação do processo e sinais de falta de liquidez em 2024, conforme informação divulgada pelo g1.
Escopo da auditoria e período sob revisão
A auditoria interna do Banco Central revisa autorizações e atos administrativos que envolveram a transferência do controle do banco Máxima para o Master, além da consolidação do processo que levou cerca de dois anos.
Os auditores concentram-se nas medidas tomadas ao longo da gestão, avaliando prazos, critérios utilizados e se houve omissão diante de indícios de risco financeiro.
Sinais de liquidez e investigação paralela do MPF
Segundo fontes ouvidas, parte central das apurações é o registro de problemas de liquidez identificados pelo BC em 2024, e as investigações do Ministério Público Federal que apontam fortes indícios de problemas de liquidez e de vendas de carteiras fictícias ainda em 2024.
Esses elementos alimentam a hipótese de que a intervenção deveria ter sido antecipada, e ampliam o escopo de análise sobre a conduta da administração do banco e dos responsáveis pela supervisão.
Impacto financeiro, responsabilidades e o papel do FGC
A investigação considera o impacto que a demora na tomada de medidas pode ter gerado, incluindo prejuízos a investidores e fundos de pensão que não são cobertos pelo mecanismo de garantia.
Em termos concretos, a apuração destaca que, só ao Fundo Garantidor de Créditos, “custa quase R$ 50 bilhões”, frase que evidencia a dimensão do risco fiscal e do custo potencial da crise.
Consequências para a gestão e próximas etapas
O foco nas decisões ocorridas durante a gestão Campos Neto pode resultar em recomendações internas, ajustes de procedimentos e, eventualmente, responsabilizações administrativas, caso se confirme omissão ou atraso.
Além da auditoria do BC, o avanço das investigações do Ministério Público Federal e ações policiais ligadas ao caso devem orientar eventuais medidas disciplinares e demandas judiciais.
Especialistas ouvidos em relatos sobre o caso destacam que o resultado da investigação interna pode redefinir práticas de supervisão e acelerar mudanças para evitar riscos semelhantes no futuro.