Auditoria sigilosa do BC visa esclarecer por que a área técnica não identificou o aumento de operações de risco no Banco Master, e avaliar responsabilidades internas
A partir de uma sindicância interna, o Banco Central busca entender eventuais falhas na supervisão que culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master.
A investigação interna do Banco Central pretende identificar por que a detecção do aumento de operações de risco foi tardia, e quem são os responsáveis por possíveis omissões na fiscalização.
As informações sobre a abertura da auditoria e seu caráter sigiloso foram obtidas pela reportagem, conforme informação divulgada pelo g1.
O que apura a investigação interna do Banco Central
A sindicância tem como objetivo principal examinar a condução do processo de fiscalização e da liquidação extrajudicial da instituição controlada por Daniel Vorcaro, com foco em possíveis falhas técnicas e procedimentais.
A auditoria, segundo a apuração, começou logo após a liquidação do banco, no ano passado, e foi decretada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em dezembro.
Entre os pontos avaliados está o motivo pelo qual a área técnica não identificou com antecedência o crescimento das operações de maior risco, informação que motivou a abertura da investigação interna do Banco Central.
Mudanças na supervisão e saída de diretores
Desde o início da sindicância, houve mudanças na chefia responsável pela supervisão bancária, com a saída dos diretores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária, Desup.
A Desup é a área encarregada de monitorar a saúde das instituições financeiras, e sua substituição ocorreu enquanto a investigação interna do Banco Central ainda está em curso, segundo apurado.
Questionamentos do TCU e acordo com o BC
O caso também mobilizou o Tribunal de Contas da União, que determinou inicialmente uma inspeção sobre a liquidação do Master, provocando recursos do Banco Central.
Houve encontro entre o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e em 12 de janeiro o Banco Central retirou os embargos de declaração, abrindo caminho para diligências técnicas em vez de uma inspeção formal.
O que significa a liquidação extrajudicial e justificativas do BC
Na prática, a liquidação extrajudicial implica que o Banco Central encerrou as atividades do banco e nomeou um liquidante para comandar o encerramento das operações até a extinção da instituição, e com isso o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
No ofício que justificou a medida, a liquidação do Banco Master foi atribuída à “situação econômico-financeira da instituição” e à “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária”, citações constantes dos documentos da autarquia.
Além disso, investigações policiais e inquéritos relacionados a suposta fraude bilionária envolvendo operações com o Banco de Brasília seguiram em apuração, com depoimentos colhidos pela Polícia Federal, conforme relatos publicados na cobertura do caso.
Enquanto a investigação interna do Banco Central permanece em sigilo, o desfecho da sindicância deve esclarecer falhas de supervisão e orientar eventuais responsabilizações internas, e a área técnica do BC continuará sujeita a diligências e revisões, conforme apuração finalizada pelo órgão.