Investigação sobre morte de 48 vacas no RS, suspeita de intoxicação nas plantas e prejuízo de R$ 600 mil, amostras coletadas para detectar excesso de nitrito

Morte de 48 vacas no RS aciona investigação sanitária, com coletas de vísceras, água, ração, silagem e pastagens, e relatos de animais ofegantes e babando

A família Witter, de Novo Xingu, Rio Grande do Sul, registra perdas graves no rebanho em poucos dias, com impacto econômico e emocional importante.

Os proprietários encontraram animais mortos antes da ordenha, e os sobreviventes apresentaram sinais agudos, como salivação excessiva e dificuldade para se levantar.

Veterinários e a Inspetoria Veterinária da região recolheram amostras para investigação, conforme informação divulgada pelo g1.

O que aconteceu na propriedade

Segundo relatos da família, o proprietário Vanderlei Witter, 44 anos, conferiu o rebanho por volta das 5h30 e encontrou os primeiros animais mortos.

Sua filha, Ana Paula Witter, relatou, “Quando o pai chegou com o rebanho pra ordenhar, ele disse pra gente que encontrou os animais mortos e quando fomos ordenhar as vacas, a gente notou que elas babavam, ficaram ofegantes, deitavam e não conseguiam mais levantar”.

No primeiro dia, ainda conforme a apuração, 15 animais já haviam sido enterrados, depois o problema avançou, na manhã do sábado (3) o proprietário encontrou mais 16 vacas mortas, e no domingo, o número total de mortes chegou a 48.

Amostras coletadas e exames em andamento

A Inspetoria Veterinária de Constantina coletou amostras de vísceras de dois animais, além de água, ração e silagem, e também recolheu amostras de pastagens de Capim Sudão, Gramas Tifton e Papua.

Foram feitas, ainda, 10 coletas de amostras sorológicas em animais vivos, para tentar identificar agentes tóxicos ou processos infecciosos.

Autoridades investigam, em especial, a possibilidade de excesso de nitrito e outras substâncias resultantes de plantas contaminadas, o que exige análises laboratoriais específicas.

Suspeita técnica e dificuldades do laudo

O secretário de Agricultura e Pecuária do município, Sérgio Celso Tasso, afirmou, “A principal suspeita é de intoxicação nas plantas, em função dos dias de chuva e falta de luminosidade que afetou o processo de fotossíntese”.

Segundo ele, não há prazo para os resultados, e existe receio de que o laudo seja inconclusivo, como já ocorreu em outros casos no estado.

Especialistas lembram que condições climáticas atípicas podem alterar a composição de forragens e silagens, aumentando o risco de intoxicação por nitritos e outros metabólitos.

Prejuízo e mobilização da comunidade

O caso já gerou impacto financeiro, com o prejuízo estimado em R$ 600 mil, segundo informações iniciais sobre a propriedade.

Moradores e pessoas ligadas à família organizaram uma campanha de apoio para arrecadar dinheiro e animais, com mais de oito vacas já doadas por pessoas da região.

A investigação prossegue, com análises laboratoriais e acompanhamento sanitário, enquanto a família tenta recuperar o rebanho e minimizar perdas, e as autoridades aguardam os laudos técnicos para esclarecer a causa das mortes.