Investimento de US$ 200 bilhões em IA pela Amazon provoca queda forte nas ações, investidores questionam retorno e risco de perda de até US$ 200 bilhões

Empresas de tecnologia, incluindo a Amazon, devem destinar mais de US$ 630 bilhões a data centers e chips para IA, analistas divergem sobre demanda e prazo para retorno

O anúncio de um aporte de US$ 200 bilhões em inteligência artificial pela Amazon provocou forte reação no mercado, com venda intensa de ações e aumento das dúvidas sobre o tempo para retorno desses gastos.

Investidores e analistas avaliam que o ritmo acelerado dos investimentos pode reduzir a margem para erros, enquanto rivais aumentam também seus aportes em infraestrutura e chips.

Os dados e as declarações sobre o movimento foram compilados a partir de reportagens sobre a divulgação do balanço e do anúncio da companhia, conforme informação divulgada pelo g1

Reação do mercado

No pregão, o papel da empresa recuou cerca de 9%, em meio à incerteza sobre quando os enormes investimentos em IA vão gerar retorno financeiro consistente.

O anúncio colocou a Amazon ao lado de outras gigantes que, juntas, devem direcionar mais de US$ 630 bilhões para data centers e chips voltados à IA, um patamar inédito de investimentos no setor.

Analistas ouvidos pela Reuters disseram que, embora já se esperasse ampliação nos gastos, a dimensão do avanço surpreendeu, e a projeção de um crescimento de aportes na ordem de 50% pela Amazon ampliou as preocupações dos investidores.

Riscos e comparações históricas

Especialistas traçam paralelos com o início dos anos 2000, quando investimentos massivos em infraestrutura da internet nem sempre geraram retorno proporcional aos recursos aplicados.

Desde 28 de janeiro, o índice de software e serviços do S&P 500 perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, e houve quedas recentes em ações de Microsoft e Alphabet após a divulgação de resultados.

O diretor de investimentos da AJ Bell, Russ Mould, avaliou que “É mais fácil decepcionar do que muitos imaginam nesse momento do mercado”, indicando fuga de investidores de ações em que as boas surpresas ficam mais difíceis.

Para a MoffettNathanson, apesar de sinais de demanda, o nível de gastos aumenta os riscos, “Não acreditamos que eles estariam gastando US$ 200 bilhões no ano fiscal de 2026 sem indícios suficientes de demanda, mas a margem de erro está diminuindo”.

Desempenho e métricas

Em sua teleconferência pós-balanço, o presidente-executivo Andy Jassy ressaltou o crescimento de 24% da receita da Amazon Web Services, lembrando que a AWS tem uma base de negócios maior do que a dos concorrentes, o que dificulta manter taxas elevadas de crescimento.

Os comparativos mostram que o Google Cloud cresceu 48% e o Azure, da Microsoft, avançou 39% no mesmo período, segundo dados apresentados pela companhia e amplamente divulgados na cobertura do anúncio.

No mercado, também chamam atenção múltiplos como o preço/lucro da Amazon, em torno de 27,01, acima do da Microsoft, de 21,62, e próximo ao da Alphabet, de 28,36. Caso a queda se mantenha, estimativas apontam que a companhia pode perder cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado.

Defesa dos executivos e perspectivas

Executivos de grandes empresas de tecnologia seguem defendendo os gastos elevados, argumentando que os ganhos com a inteligência artificial irão superar os custos dessa corrida por infraestrutura e capacidade computacional.

Fontes do setor e analistas destacam que o modelo de negócios das nuvens públicas está mudando, com estruturas menos leves e volumes maiores de ativos, o que implica que os investimentos cresçam mais rapidamente do que as vendas.

O mercado vai acompanhar nos próximos trimestres sinais de demanda por serviços de IA, adoção de aplicações empresariais e a capacidade das empresas de transformar investimentos bilionários em receitas sustentáveis no longo prazo.