IPCA-15 de janeiro sobe 0,20% e acumula 4,50% em 12 meses, IBGE detalha impacto por grupos, inflação fica no limite de tolerância do CMN
IPCA-15, prévia da inflação, mostra alta ligeiramente abaixo do esperado, com Habitação e Transportes em queda e Saúde e Comunicação puxando os preços
O IPCA-15 registrou alta em janeiro, mas ficou um pouco abaixo das previsões do mercado, mostrando um início de ano com pressões dispersas entre grupos de consumo.
Alguns itens subiram forte no mês, outros recuaram, e a leitura anual permanece acima da meta oficial, ainda dentro do intervalo de tolerância.
Os dados divulgados pelo IBGE trazem detalhes sobre os grupos e mostram qual foi o efeito de reajustes tarifários e da variação dos alimentos no mês, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado geral e números
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, o IPCA-15, foi de 0,20% em janeiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.
Com isso, o índice acumula 4,50% nos últimos 12 meses, acima da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% a 4,5%.
O resultado de janeiro ficou 0,05 ponto percentual abaixo do registrado em dezembro, quando o índice avançou 0,25%. A expectativa dos economistas era de alta de 0,22% em janeiro e de 4,52% nos últimos 12 meses.
Principais grupos e variações
Entre os nove grupos pesquisados, destacaram-se variações distintas, com Habitação recuando e Saúde e cuidados pessoais liderando as altas. As variações em janeiro foram: Alimentação e bebidas, 0,31%, Habitação, -0,26%, Artigos de residência, 0,43%, Vestuário, 0,28%, Transportes, -0,13%, Saúde e cuidados pessoais, 0,81%, Despesas pessoais, 0,28%, Educação, 0,05%, Comunicação, 0,73%.
O que mais influenciou a prévia da inflação em janeiro
O grupo Saúde e cuidados pessoais teve o maior impacto no índice em janeiro, com 0,11 ponto percentual, e a maior variação, de 0,81%. Entre os destaques, produtos de higiene pessoal subiram 1,38%, após recuo de 0,78% em dezembro, com impacto de 0,05 p.p., e plano de saúde teve alta de 0,49%, com impacto de 0,02 p.p.
O grupo Comunicação cresceu 0,73%, puxado pelos aparelhos telefônicos, que subiram 2,57%. Artigos de residência avançaram 0,43%, influenciados pelo aumento de 1,79% em itens de TV, som e informática.
No item Alimentação e bebidas, o índice acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio, que interrompeu sete meses de queda, subiu 0,21%. Entre as maiores altas estiveram tomate, 16,28%, batata-inglesa, 12,74%, frutas, 1,65%, e carnes, 1,32%. Entre os que caíram, leite longa vida teve queda de -7,93%, arroz -2,02% e café moído -1,22%. A alimentação fora do domicílio subiu 0,56%.
Os combustíveis avançaram 1,25%, com etanol 3,59%, gasolina 1,01%, gás veicular 0,11% e óleo diesel 0,03%.
O grupo Transportes recuou -0,13%, pressionado pela queda das passagens aéreas, -8,92%, e do ônibus urbano, -2,79%. A redução no transporte coletivo foi influenciada pela implementação da tarifa zero aos domingos e feriados em Belo Horizonte, que provocou queda de 18,26% em determinado componente.
Nos ônibus urbanos, foram aplicados reajustes tarifários em várias cidades, com variações registradas, como Fortaleza, alta de 5,90% com impacto de 20,00%, Rio de Janeiro, alta de 2,13% com impacto de 6,38%, Salvador, alta de 1,15% com impacto de 5,36%, São Paulo, alta de 4,58% com impacto de 6,00%, considerando gratuidades aos domingos e feriados, Belo Horizonte, alta de 4,58% com impacto de 8,70% e Curitiba e Brasília com quedas influenciadas por gratuidades.
No metrô, a variação foi de 2,52%, puxada pelo reajuste em São Paulo, e o mesmo reajuste se aplicou aos trens em São Paulo. A integração do transporte público em São Paulo caiu 0,94%, refletindo tanto as gratuidades quanto os ajustes tarifários. O subitem táxi avançou 0,42%, com reajuste no Rio de Janeiro de 4,92% aplicado desde 2 de janeiro.
O grupo Habitação recuou -0,26%, com a energia elétrica residencial caindo -2,91%, que teve o maior impacto negativo do mês, de -0,12 p.p. Em dezembro vigorava a bandeira amarela, com cobrança adicional por 100 kWh, e em janeiro passou a vigorar a bandeira verde, sem custo extra.
Perspectivas e avaliação de economistas
Na avaliação do economista Maykon Douglas, de modo geral, “A média dos núcleos de inflação subiu 4,3% na comparação anual, voltando ao intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central.” Ele observa, no entanto, que a inflação de serviços intensivos em trabalho segue acelerando, refletindo um mercado de trabalho ainda apertado.
Douglas acrescenta que os resultados indicam que a política monetária permanece no caminho certo, e que o Banco Central provavelmente não cortará os juros na reunião desta semana, mas, sim, em março.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destaca que, quando observadas as variações em 12 meses, as métricas indicam desaceleração, e que, apesar da piora marginal no curto prazo, a tendência anual ainda é favorável. “Eles seguem refletindo o dinamismo persistente do mercado de trabalho e constituem um dos principais focos de atenção para a condução da política monetária.“
Sung ressalta ainda que o quadro inflacionário brasileiro continua em processo de desinflação, apoiado por fatores como a valorização recente do câmbio, maior estabilidade das commodities, queda nos preços de alguns alimentos e desaceleração dos custos de produção tanto no setor agrícola quanto no industrial.
O IPCA-15 de janeiro, portanto, mostra um começo de ano com leituras mistas, pressões concentradas em alguns grupos e sinais de desaceleração em outros, elementos que devem guiar o debate sobre taxas de juros e a trajetória da inflação nos próximos meses.