quinta-feira, junho 4, 2026

Irã anuncia exercícios militares com Rússia e China, manobras navais no Mar de Omã elevam tensão durante negociações nucleares com os EUA

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Exercícios militares Irã Rússia China começam com operações no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, China deve se juntar até o fim do mês em programa de segurança marítima

O governo iraniano anunciou que realizará, já nesta quinta, exercícios navais conjuntos com a Rússia no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, e que a China se juntará a novas manobras até o fim de fevereiro.

As manobras acontecem em meio a uma escalada de tensão com os Estados Unidos, e durante rodadas de negociações entre Teerã e Washington sobre limites ao programa nuclear iraniano.

O anúncio oficial do Irã detalha objetivos de coordenação para enfrentar ameaças à segurança marítima, e ocorre enquanto os EUA ampliam presença militar na região, com porta-aviões posicionados no Mar Arábico, conforme informação divulgada pelo g1.

O que o Irã e a Rússia disseram sobre as manobras

A agência semioficial iraniana Fars informou que os exercícios, previstos para quinta, terão como palco o Mar de Omã e o norte do Oceano Índico, com unidades navais iranianas e forças russas.

Um comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, foi citado pela Fars, ao dizer, “Criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar atividades que ameaçam a segurança e a proteção marítima (…) bem como combater o terrorismo marítimo estão entre os principais objetivos deste exercício conjunto”.

A Rússia não se manifestou oficialmente até a última atualização da reportagem, e não há ainda detalhes públicos sobre a composição exata das forças russas que participarão.

Participação chinesa e o programa “Cinturão de Segurança Marítima”

Segundo agências estatais iranianas, a China deverá se juntar ao Irã e à Rússia em manobras programadas até o fim de fevereiro.

As manobras integrarão um programa chamado “Cinturão de Segurança Marítima”, que, segundo o Irã, busca aumentar a integração na segurança entre os três países, e ocorre anualmente desde 2019.

A presença chinesa eleva a dimensão geopolítica das manobras, porque aproxima, operacionalmente, Moscou, Pequim e Teerã num momento de fortes atritos entre o Irã e os Estados Unidos.

Negociações nucleares, ameaças e números que preocupam

As manobras foram anunciadas durante negociações entre EUA e Irã para limitar o programa nuclear iraniano. A primeira rodada deste mês, em Omã, teve, segundo autoridades, uma “atmosfera muito positiva”.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que houve avanços na segunda rodada, e que o caminho para um acordo estaria aberto, enquanto representantes de Washington disseram que ainda há um longo caminho a percorrer.

Dados da Agência Internacional de Energia Atômica, citados pelo g1, apontam que o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para uma arma nuclear, informação que alimenta a urgência das negociações.

Risco de escalada e manifestações de retórica

A escalada de retórica também acompanha as manobras. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Trump não conseguirá derrubá-lo, e fez ameaças ao grupo de ataque norte-americano na região, citando o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que está estacionado no Mar Arábico.

Do lado americano, o presidente Donald Trump alternou sinais de abertura para um acordo com advertências duras, e chegou a ameaçar tomar “medidas muito duras” caso as negociações fracassem. Os EUA também deslocaram o grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald Ford para reforçar a presença na região.

Manobras anteriores da Guarda Revolucionária e exercícios recentes no Estreito de Ormuz levaram ao fechamento parcial do estreito, e a nova sequência de operações conjuntas pode aumentar ainda mais o risco de incidentes entre navios e aviões na área.

O que observar nas próximas semanas

Analistas devem acompanhar se a Rússia confirma oficialmente participação nas manobras desta quinta, e como será efetivamente a integração chinesa nas operações previstas até o fim do mês.

Também é relevante monitorar o andamento das negociações nucleares, especialmente propostas sobre inspeções da AIEA e possíveis trocas, como a diluição de estoques em troca do fim de sanções, apontadas por autoridades iranianas.

No curto prazo, a combinação entre exercícios navais trilaterais e a presença ampliada de ativos militares dos EUA no Golfo e no Mar Arábico eleva a possibilidade de incidentes, que podem obrigar atores regionais e internacionais a respostas diplomáticas e militares.

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