Irã, Rússia e China planejam manobras no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico até o fim do mês, enquanto Teerã e Washington discutem limites ao programa nuclear
O Irã anunciou exercícios navais conjuntos com a Rússia já na quinta-feira, dia 19, e informou que novas manobras envolvendo também a China devem ocorrer até o fim de fevereiro.
As operações acontecem em meio a negociações com os Estados Unidos para limitar o programa nuclear iraniano e a um aumento da presença militar norte-americana na região.
Conforme informação divulgada pelo g1, as declarações oficiais iranianas ligam as manobras a uma resposta a ameaças e a preocupações de segurança marítima.
O que foi anunciado e os objetivos declarados
A agência semioficial iraniana Fars informou que o Exército iraniano fará exercícios navais em conjunto com forças russas no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, já na quinta-feira, 19.
Um comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, disse à Fars, “Criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar atividades que ameaçam a segurança e a proteção marítima (…) bem como combater o terrorismo marítimo estão entre os principais objetivos deste exercício conjunto”.
Autoridades estatais do Irã também afirmaram que, até o fim de fevereiro, Teerã, Moscou e Pequim conduzirão novos exercícios chamados de “Cinturão de Segurança Marítima”, com o objetivo de ampliar a coordenação em patrulhas e operações navais.
Contexto das negociações nucleares e respostas políticas
As manobras foram anunciadas em um momento de escalada diplomática e militar entre Irã e Estados Unidos, enquanto as duas partes mantêm negociações sobre limites ao programa nuclear iraniano.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que houve avanços nas negociações com os EUA e que “o caminho para um acordo nuclear estaria aberto”.
Os Estados Unidos, no entanto, mantêm ressalvas e dizem que ainda há um longo caminho a percorrer antes de qualquer acordo, segundo relatos a partir das tratativas mencionadas pelo g1.
Tensão com sinais militares e declarações de líderes
Nas últimas semanas, os EUA posicionaram uma ampla presença militar próxima ao Irã, com grupos de ataque de porta-aviões e jatos de combate na região, o que aumentou o risco de incidentes.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alternou entre mostrar expectativa por um acordo e fazer ameaças diretas ao regime iraniano, tendo dito que adotaria “medidas muito duras” caso as negociações fracassem.
Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que “Trump não conseguirá derrubar seu regime” e, segundo relatos, ameaçou derrubar o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está estacionado nas águas do Mar Arábico, em alcance de um eventual ataque ao Irã.
O risco nuclear, inspeções e números-chave
Um ponto central das negociações é o estoque de urânio do Irã e o nível de enriquecimento. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, valor próximo ao nível associado à obtenção de material fissível para arma.
A principal autoridade nuclear iraniana declarou que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio em troca do fim das sanções, e o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse que o país aceita “inspeções” da AIEA para demonstrar a natureza pacífica do programa, ao mesmo tempo em que não aceitará “exigências excessivas” dos EUA.
Enquanto isso, o Irã também realizou exercícios recentes no Estreito de Ormuz, que chegou a ser parcialmente fechado durante manobras da Guarda Revolucionária Islâmica, aumentando ainda mais as tensões marítimas na região.
O que observar nos próximos dias
Fontes oficiais iranianas indicam que as manobras conjuntas com Rússia e China devem ocorrer até o fim do mês, e analistas afirmam que essas operações podem elevar a preocupação internacional sobre a segurança no Golfo e o risco de confrontos acidentais entre forças militares presentes.
As negociações nucleares permanecem em curso, com apelos por inspeções da AIEA e propostas de limitações ao programa iraniano, ao passo que a movimentação de navios e porta-aviões americanos, como o USS Gerald Ford e o USS Abraham Lincoln, seguirá sendo um fator de pressão geopolítica na região.
Reportagem baseada em informações divulgadas pelo g1, em apuração de agências e declarações oficiais citadas nas fontes informadas.