Chanceler Abbas Araghchi afirma que não há diálogo em ambiente de ameaças, e diz que Teerã não teve contato com enviado norte-americano após movimentação militar
Irã rejeita negociar com os Estados Unidos enquanto Washington adote uma postura de pressão militar, afirmou o chanceler Abbas Araghchi, em declarações transmitidas pela televisão.
Araghchi afirmou que conduzir negociações sob intimidação não é possível, e que o país não busca diálogo quando há ameaças explícitas e exigências excessivas.
As falas ocorreram após o deslocamento do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio, movimento que contribuiu para a escalada de tensões entre Teerã e Washington, conforme informação divulgada pelo g1.
Posição oficial de Teerã
O chanceler foi enfático, ao dizer, “Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas”.
Ele acrescentou que “Não se pode falar em diálogo em um ambiente de ameaças”, e negou relatos do governo americano sobre tentativas iranianas de contato.
Araghchi também afirmou que, nos últimos dias, não teve “nenhum contato” com o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e que “o Irã não buscou negociações”.
Escalada militar e declarações de Washington
O anúncio do reforço militar veio acompanhado de declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou, “Há outra bela armada flutuando em direção ao Irã neste momento”, e disse ainda, “Espero que eles façam um acordo”.
O Comando Central dos Estados Unidos, Centcom, informou que o grupo de ataque do porta-aviões chegou ao Oriente Médio para aumentar a presença militar na região.
Segundo o Centcom, o grupo liderado pelo Abraham Lincoln tem como missão impedir ações desestabilizadoras e proteger interesses americanos na região.
Reações iranianas e contexto das manifestações
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, criticou qualquer intervenção estrangeira e destacou a confiança do país em suas próprias capacidades.
Em suas palavras, “A chegada de um navio de guerra desse tipo não afetará a determinação e a seriedade do Irã em defender a nação”.
O deslocamento do grupo de ataque ocorreu enquanto o governo iraniano enfrentava manifestações em larga escala e relatos de repressão, cenário que motivou alertas e movimentos de contingência por parte dos EUA.
O que está em jogo
Analistas apontam que a combinação de pressão militar e retórica presidencial complica canais diplomáticos potenciais, ao mesmo tempo em que Washington insiste que “todas as opções continuam sobre a mesa”.
O Irã, por seu lado, condiciona qualquer avanço à retirada de ameaças e à suspensão de exigências que considera inaceitáveis, postura que, por ora, mantém distante a perspectiva de negociações diretas.
O episódio reforça um ciclo de confiança reduzida, com ambos os lados mantendo posicionamentos firmes, enquanto atores regionais e aliados observam os desdobramentos.