Exercício militar no Estreito de Ormuz realizado pela Guarda Revolucionária acontece na véspera de nova rodada de negociações EUA-Irã em Genebra, testando reações e pressionando diálogo
Em novo sinal de tensão, a Marinha da Guarda Revolucionária iraniana anunciou exercícios no Estreito de Ormuz, com o objetivo de testar a prontidão diante de possíveis ameaças de segurança e militares.
As manobras ocorrem um dia antes de negociadores do Irã e dos EUA voltarem a se encontrar em Genebra, na terça-feira, em busca de um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
As informações foram divulgadas pelo g1, que acompanha a escalada de ações militares e diplomáticas na região, conforme informação divulgada pelo g1.
Motivações e posições
Segundo comunicado citado pela mídia, a Guarda Revolucionária afirma que o exercício militar no Estreito de Ormuz tem por objetivo verificar a prontidão das forças diante de ameaças. A ação acontece em um momento em que os Estados Unidos mantêm meios navais na região, entre eles os grupos de ataque dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald Ford.
O governo de Washington e o presidente Donald Trump alternam sinais de abertura e pressão, e Trump já ameaçou adotar “medidas muito duras” contra o Irã, caso as negociações fracassem, conforme noticiou o g1.
Incidentes recentes e risco de escalada
As manobras são a segunda série de exercícios da Guarda Revolucionária no estreito na atual escalada com os EUA. Exercícios na área tendem a amplificar tensões, porque cerca de 30% do volume mundial de petróleo passa por ali, segundo as informações publicadas pelo g1.
Em episódios anteriores, que ocorreram entre o final de janeiro e início de fevereiro, os militares iranianos testaram respostas americanas em pelo menos dois incidentes. Em um deles, um drone Shahed-139 foi abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, e em outro, dois barcos iranianos tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, mas foram repelidos, conforme relato do g1.
Esses episódios fizeram com que o comando militar dos EUA alertasse para o risco de escalada, e a movimentação de porta-aviões e grupos de ataque é interpretada como demonstração de capacidade e vontade de resposta.
Negociações nucleares e condicionantes
As conversas entre EUA e Irã já tiveram uma primeira rodada no Omã, em 6 de fevereiro, em clima que o chanceler iraniano avaliou como “muito positivo”, de acordo com reportagens citadas pelo g1.
Ainda assim, as diferenças permanecem amplas, pois Washington exige que Teerã encerre programas nuclear e de mísseis e cesse apoio a grupos armados regionais, enquanto o regime de Ali Khamenei diz que negociará apenas o programa nuclear.
Autoridades iranianas disseram estar dispostas a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções, e a principal autoridade nuclear afirmou que o país estaria aberto a “inspeções” da AIEA, enquanto anunciou que não aceitará “exigências excessivas”, conforme informações do g1.
Segundo a AIEA, o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, próximo do nível associado à fabricação de arma nuclear, indicador que pesa nas negociações, conforme registro do g1.
O que observar nos próximos dias
Além do encontro em Genebra, a comunidade internacional e o setor de energia estarão de olho na evolução das manobras no Estreito de Ormuz e nas declarações de Washington e Teerã.
Analistas afirmam que novas ações militares na rota do petróleo podem aumentar os preços e trazer riscos ao tráfego comercial, enquanto qualquer incidente envolvendo navios ou aeronaves pode precipitar uma resposta americana, dada a presença da frota dos EUA na região.
Nas próximas etapas, negociadores e observadores buscarão sinais de desescalada ou de endurecimento, e o desfecho das conversas em Genebra pode ser influenciado pelas demonstrações de força no Estreito de Ormuz, conforme apurado pelo g1.