Irã realiza novo exercício militar no Estreito de Ormuz às vésperas de negociações nucleares com os EUA, tensão e risco ao tráfego de petróleo

Guarda Revolucionária realiza manobras no Estreito de Ormuz, testando prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”, um dia antes de encontro em Genebra

O Irã realizou um novo exercício no Estreito de Ormuz na véspera de uma rodada de negociações entre Teerã e Washington, em Genebra.

A Marinha da Guarda Revolucionária informou que as manobras tinham como objetivo testar a prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”, segundo a agência Tasnim.

O episódio ocorre em meio a tensões crescentes e à retomada de conversas nucleares entre os dois países, conforme informação divulgada pelo g1

O que os iranianos dizem que foi testado

Segundo comunicado da Marinha da Guarda Revolucionária, o exercício no Estreito de Ormuz serviu para avaliar reações e capacidades diante de cenários de risco, segundo a Tasnim.

Esta é a segunda sequência de manobras no estreito durante a atual escalada, após exercícios entre o final de janeiro e início de fevereiro que já haviam tensionado a região.

Na rodada anterior, militares iranianos realizaram ações que levaram a confrontos próximos a navios norte-americanos, com um drone Shahed-139 abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, e a tentativa de interceptação de um petroleiro dos EUA por dois barcos iranianos, que foram repelidos.

Impacto nas negociações entre EUA e Irã

O novo exercício ocorre um dia antes do encontro entre negociadores iranianos e norte-americanos em Genebra, marcado para terça-feira, com o objetivo de retomar a negociação sobre o programa nuclear.

As negociações já tiveram uma primeira rodada omani, no dia 6 de fevereiro, que o chanceler iraniano Abbas Araqchi descreveu como de “atmosfera muito positiva”.

No entanto, Washington e Teerã mantêm diferenças profundas, porque os EUA exigem o fim de programas nuclear e de mísseis e a interrupção do apoio a grupos armados, enquanto o regime de Ali Khamenei diz que negociará apenas seu programa nuclear.

Autoridades iranianas também sinalizaram concessões limitadas, com a principal autoridade nuclear afirmando que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções, e a Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, indicando que “o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%”.

O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse que o país está disposto a aceitar “inspeções” da AIEA para demonstrar a natureza pacífica do seu programa, mas advertiu que não cederá a “exigências excessivas”.

Reação e postura dos EUA

Os Estados Unidos não tinham se manifestado publicamente sobre as novas manobras até a última atualização da reportagem, embora o Exército norte-americano tenha alertado para riscos de escalada em exercícios anteriores.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna sinais de abertura e advertências duras. Na semana passada, ele ameaçou tomar “medidas muito duras” contra o Irã caso as negociações fracassem, e enviou o porta-aviões USS Gerald Ford para reforçar a presença militar na região, onde já opera o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln.

Por que o Estreito de Ormuz é sensível

O Estreito de Ormuz é um ponto estratégico porque pelo canal passa cerca de 30% do volume mundial de petróleo, o que torna qualquer tensão militar um risco direto ao fornecimento global de energia.

Exercícios militares na região tendem a elevar as tensões, pela proximidade entre forças navais e a chance de incidentes que podem se transformar em confrontos maiores, com impacto nos preços do petróleo e na navegação comercial.

Analistas consideram que, além do componente técnico e militar, as manobras têm um efeito político, reforçando a capacidade de negociação e a mensagem de dissuasão do Irã antes das conversas em Genebra.