Irã realiza novo exercício militar no Estreito de Ormuz às vésperas de reunião com EUA em Genebra, Guarda Revolucionária afirma testar prontidão e eleva tensão

Novo exercício militar iraniano no Estreito de Ormuz testa prontidão da Guarda Revolucionária um dia antes de encontro entre negociadores do Irã e dos EUA em Genebra

O Irã iniciou novas manobras navais no Estreito de Ormuz, em uma ação da Marinha da Guarda Revolucionária que, segundo o comando militar, visa avaliar a prontidão diante de possíveis ameaças.

As manobras acontecem um dia antes de um encontro marcado entre negociadores do Irã e dos Estados Unidos em Genebra, retomando conversas que buscam limitar o programa nuclear iraniano em meio a um clima de elevada tensão militar.

As informações sobre os exercícios e o calendário das negociações foram divulgadas à imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.

O exercício e as justificativas oficiais

A Marinha da Guarda Revolucionária afirmou, segundo a agência Tasnim, que as operações no Estreito de Ormuz têm como objetivo testar a prontidão diante de ‘possíveis ameaças de segurança e militares’. Não houve, até a última atualização da reportagem, uma manifestação pública dos Estados Unidos sobre as novas manobras.

Esta é a segunda rodada de exercícios da Guarda Revolucionária no estreito na atual escalada, depois de ações ocorridas entre o final de janeiro e início de fevereiro, que já haviam tensionado as relações com Washington.

Contexto das negociações entre EUA e Irã

Negociadores do Irã e dos EUA voltarão a se encontrar em Genebra na terça-feira, dia 17, para retomar tratativas iniciadas em Omã no dia 6 de fevereiro. O chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou que a primeira rodada teve uma ‘atmosfera muito positiva’, segundo relatos da imprensa.

Apesar do tom inicial, persistem diferenças profundas: os Estados Unidos exigem que o Irã encerre programas nuclear e de mísseis e cesse apoio a grupos armados da região, enquanto o regime de Ali Khamenei diz que negociará apenas questões nucleares.

Em declarações recentes, autoridades iranianas disseram estar dispostas a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções, e o presidente Masud Pezeshkian afirmou que o país aceita ‘inspeções’ da AIEA, sem, porém, ceder a ‘exigências excessivas’. Segundo a AIEA, o Irã possui cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, nível considerado próximo ao necessário para uma arma nuclear.

Risco de escalada e impacto no tráfego de petróleo

As manobras no Estreito de Ormuz tendem a aumentar os riscos, porque por ali passa cerca de 30% do volume mundial de petróleo, o que dá à região grande sensibilidade estratégica e econômica.

Exercícios anteriores testaram a reação dos EUA em incidentes que incluíram o abate de um drone Shahed-139 próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, e a tentativa de dois barcos iranianos de interceptar um petroleiro dos EUA, repelida pelos norte-americanos. Washington mantém na região dezenas de navios, e o presidente Donald Trump alterna sinais de abertura para um acordo com ameaças de ‘medidas muito duras’, além de ter reforçado a presença naval com o grupo de ataque do USS Gerald Ford.

Analistas e autoridades regionais acompanham as manobras como um fator que pode complicar ou condicionar as negociações em Genebra, porque qualquer incidente no estreito pode ter efeitos imediatos sobre rotas e preços de energia no mercado global.

O que observar nas próximas horas

Fique atento a sinais de diálogo diplomático em Genebra e a comunicações oficiais de Washington e Teerã, além de anúncios por parte da AIEA sobre o estado das reservas nucleares iranianas. A evolução das manobras no Estreito de Ormuz e a resposta dos EUA serão determinantes para o rumo das negociações e para o nível de tensão na região.