Irã realiza novo exercício militar no Estreito de Ormuz na véspera de negociações nucleares com os EUA, teste de prontidão da Guarda Revolucionária

Exercício militar no Estreito de Ormuz, segundo a Guarda Revolucionária, busca testar prontidão diante de possíveis ameaças, enquanto delegações se reúnem em Genebra

O Irã realizou um novo exercício militar no Estreito de Ormuz na véspera de uma rodada de negociações nucleares com os Estados Unidos, em uma manobra que aumenta a sensação de risco na região.

A Marinha da Guarda Revolucionária informou que os exercícios têm como objetivo testar a prontidão diante de ‘possíveis ameaças de segurança e militares’, segundo a agência Tasnim.

As manobras ocorrem um dia antes do encontro entre negociadores iranianos e norte-americanos em Genebra, marcado para terça e quarta-feira, em nova tentativa de limitar o programa nuclear iraniano.

conforme informação divulgada pelo g1

O que a Guarda Revolucionária e o Irã dizem

A própria Marinha da Guarda Revolucionária descreveu o objetivo do exercício como verificação de prontidão frente a possíveis ameaças, em declaração à Tasnim citada pelo g1. Esta é a segunda vez na atual escalada de tensões que a Guarda realiza manobras no Estreito de Ormuz.

Autoridades iranianas também sinalizaram disposição a oferecer medidas sobre o programa nuclear, incluindo diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim de sanções, conforme informou a principal autoridade nuclear do país ao g1.

Incidentes recentes e riscos de escalada

Exercícios anteriores entre o final de janeiro e início de fevereiro já elevaram a tensão com os EUA. Em dois episódios separados, um drone Shahed-139 foi abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, e dois barcos iranianos tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, sendo repelidos, segundo relatos compilados pelo g1.

Manobras no Estreito de Ormuz são sensíveis porque cerca de 30% do volume mundial de petróleo passa pela rota, o que torna qualquer escalada um risco direto para mercados e tráfego naval.

Posição dos Estados Unidos e o contexto das negociações

Os Estados Unidos mantêm grupos de ataque naval na região, incluindo o grupo do USS Abraham Lincoln e o envio do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, como demonstração de pressão, segundo o g1.

O presidente Donald Trump alternou mensagens de abertura para um acordo e advertências duras, prometendo ‘medidas muito duras’ caso as negociações fracassem, nota o g1. Enquanto isso, o Irã condiciona negociações principalmente ao tema nuclear, resistindo a exigências mais amplas de Washington.

A primeira rodada entre EUA e Irã ocorreu no Omã no dia 6 de fevereiro, com o chanceler iraniano Abbas Araqchi descrevendo o encontro como tendo uma ‘atmosfera muito positiva’, conforme reportado pelo g1.

O que está em jogo

Além das negociações, há dados concretos sobre o programa nuclear iraniano citados pelo g1 e por agências internacionais, entre eles cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo ao necessário para arma, segundo a AIEA, informação mencionada na cobertura do g1.

O governo iraniano afirmou estar disposto a permitir ‘inspeções’ da AIEA para demonstrar caráter pacífico do programa, mas ressaltou que não aceitará ‘exigências excessivas’ dos EUA, segundo declarações citadas pelo g1.

Com as delegações prestes a se encontrar em Genebra, o novo exercício militar no Estreito de Ormuz reforça a combinação de pressão diplomática e demonstração de força, em um momento em que cada movimento pode influenciar a continuidade ou o colapso das negociações nucleares.