Irã realiza novo exercício militar no Estreito de Ormuz, véspera de negociações EUA-Irã em Genebra, elevação de tensão entre Guarda Revolucionária Islâmica e Washington
Exercício da Guarda Revolucionária no Estreito de Ormuz, descrito como teste de prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”, ocorre um dia antes do encontro em Genebra
Militares iranianos da Guarda Revolucionária Islâmica realizaram nova série de exercícios navais no Estreito de Ormuz, segundo comunicado da própria Marinha da Guarda, com a justificativa de testar a prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”.
As manobras chegam um dia antes de uma rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã marcada para terça, em Genebra, em um momento de escalada de tensão entre Teerã e Washington.
O movimento militar reacende receios sobre a segurança da navegação na região, por onde passa cerca de 30% do petróleo mundial, e eleva o risco de incidentes nas vésperas das conversas diplomáticas, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse a Marinha e o contexto das manobras
A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou, segundo a agência Tasnim, que os exercícios no Estreito de Ormuz têm como objetivo testar a prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”. A nota não detalhou a duração nem o tipo exato de forças envolvidas.
Esta é a segunda rodada de exercícios da Guarda no estreito desde o início da escalada recente com os EUA, depois de manobras entre o final de janeiro e início de fevereiro que motivaram alertas americanos sobre risco de escalada.
Negociações EUA-Irã e divergências centrais
Negociadores do Irã e dos Estados Unidos voltam a se encontrar em Genebra, após uma primeira rodada em Omã no dia 6 de fevereiro que, segundo o chanceler iraniano Abbas Araqchi, teve uma “atmosfera muito positiva”.
No entanto, as diferenças permanecem amplas, porque Washington exige que Teerã cesse programas nuclear e de mísseis e pare de apoiar grupos armados na região, enquanto o regime do líder Ali Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.
Arsenal, inspeções e ameaças
Autoridades iranianas afirmaram que estão dispostas a diluir estoques de urânio enriquecido e aceitar inspeções, mas sem ceder a “exigências excessivas” dos EUA. Segundo a AIEA, o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alterna entre indicar possibilidade de acordo e ameaças, e chegou a dizer que tomaria “medidas muito duras” caso as negociações fracassem. Para reforçar pressão militar, Washington enviou o porta-aviões USS Gerald Ford para a região, enquanto o grupo do USS Abraham Lincoln já estava posicionado no Golfo.
Riscos para a navegação e cenários futuros
Especialistas e autoridades veem nas manobras no Estreito de Ormuz um fator de risco, porque qualquer incidente pode afetar o tráfego de petroleiros e provocar reações militares ou econômicas. Em episódios anteriores, militares iranianos abateram um drone e tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, segundo relatos, o que aumentou a presença naval americana na área.
Com negociadores se reunindo em Genebra, a combinação de diplomacia e demonstrações militares coloca em evidência a dualidade entre tentativa de acordo e demonstrações de força, deixando o futuro das conversas incerto e a região em alerta.