Irlanda vai votar contra o acordo UE-Mercosul, junta-se a França, Hungria e Polônia, e agricultores europeus alertam para aumento de importações sul-americanas

Com votação marcada no Conselho da UE na sexta-feira e possível assinatura na segunda, a oposição irlandesa coloca em risco a imagem política do pacto e alimenta protestos do setor agrícola

A Irlanda anunciou que vai votar contra o acordo UE-Mercosul, informou o vice-primeiro-ministro Simon Harris, numa declaração que reforça a resistência de alguns Estados-membros ao tratado.

O país passa a integrar a lista de opositores que já inclui França, Hungria e Polônia, num momento em que a Comissão Europeia busca a maioria necessária para autorizar a assinatura do acordo.

A decisão intensifica o debate sobre os impactos do acordo UE-Mercosul sobre a agricultura europeia, em especial sobre setores que temem um aumento das importações de carne e produtos do Mercosul, conforme informação divulgada pelo g1.

Motivos da posição irlandesa

Simon Harris afirmou com objetividade, “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado“, e confirmou, “Votaremos contra o acordo“. A declaração critica as concessões da Comissão Europeia, avaliadas como insuficientes pelo governo irlandês.

Em suas palavras, “Infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos“, apontou Harris, justificando a rejeição.

Preocupações do setor agrícola

O tratado, negociado desde 1999, criaria a maior área de livre comércio do mundo, com abertura para entrada de carne, arroz, mel e soja da América do Sul, em troca de exportações europeias de veículos e máquinas.

Agricultores europeus, especialmente na França, promovem protestos e bloqueios de ruas, alertando para o impacto das importações sul-americanas na renda e na produção locais. Essas mobilizações aumentam a pressão sobre governos que ainda não definiram voto.

Calendário e próximos passos

O Conselho da União Europeia deve votar na sexta-feira, se obtiver maioria o documento autoriza a assinatura do acordo, prevista pela Comissão Europeia para a segunda-feira seguinte. A oposição de quatro países, incluindo a Irlanda, não deve necessariamente impedir a aprovação, mas complica o contexto político.

Com o cenário tenso, a negociação política pode ganhar novos capítulos nas próximas horas, enquanto representantes dos setores afetados seguem mobilizados para influenciar a decisão final.