Irlanda confirma voto contra o acordo UE-Mercosul, citando concessões insuficientes da Comissão Europeia e preocupações com produtores agrícolas
A Irlanda anunciou que votará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, em decisão comunicada pelo vice-primeiro-ministro Simon Harris.
A oposição se soma à de França, Hungria e Polônia, mas não deve impedir que o Conselho da UE decida sobre o texto na votação marcada para sexta-feira.
Os agricultores europeus temem um aumento nas importações de carne, arroz, mel e soja, enquanto a UE exportaria veículos e máquinas para Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, conforme informação divulgada pelo g1.
Motivos da posição irlandesa
O vice-primeiro-ministro irlandês afirmou que “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado“, e reiterou, de forma direta, “Votaremos contra o acordo“.
Harris criticou as concessões negociadas pela Comissão Europeia, dizendo que, apesar de medidas adicionais terem sido acordadas, elas não atendem às expectativas da população. Em suas palavras, “Infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos“.
O que está em jogo na votação do Conselho da UE
O Conselho da União Europeia pode aprovar o texto na sexta-feira, o que daria autorização para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinasse o acordo na segunda-feira. O acordo em discussão foi negociado desde 1999.
A oposição de alguns Estados-membros, incluindo França, Polônia, Hungria e agora Irlanda, não deve ser suficiente para barrar a aprovação, pois é esperado que a maioria dos 27 países apoie o pacto.
Impacto esperado sobre a agricultura europeia
Produtores agrícolas europeus temem que a liberalização do comércio aumente significativamente as importações de produtos sul-americanos, especialmente carne, arroz, mel e soja, itens citados como de maior preocupação.
Do outro lado, setor industrial da UE pode ganhar acesso ampliado a mercados do Mercosul, com exportações de veículos e máquinas, o que cria um equilíbrio político complexo entre interesses rurais e industriais.
Próximos passos e cenário político
Se o Conselho aprovar, a assinatura deve ocorrer na data prevista, e a ratificação seguirá os trâmites previstos, com debates políticos intensos em vários países membros.
A posição da Irlanda destaca como questões internas de proteção agrícola podem moldar decisões de política externa comercial na UE, e sinaliza que, mesmo após décadas de negociações, sensibilidades nacionais continuam a pesar na aprovação de acordos multilaterais.