quinta-feira, junho 4, 2026

Irlanda votará contra o acordo UE-Mercosul, junta-se a França, Hungria e Polônia, enquanto Comissão pode autorizar assinatura apesar de protestos agrícolas

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Governo irlandês afirma que concessões da UE não atendem cidadãos, votará contra o acordo UE-Mercosul que pode criar a maior área de livre comércio do mundo

A Irlanda anunciou que não apoiará o pacto comercial negociado entre a União Europeia e o Mercosul, elevando a pressão política na véspera da votação no Conselho da UE.

O país se soma à França, à Hungria e à Polônia na oposição, enquanto autoridades europeias avaliam se haverá maioria suficiente para autorizar a assinatura do tratado.

A disputa acende debates sobre o impacto em setores agrícolas e industriais, e sobre a capacidade da Comissão Europeia de avançar com a assinatura prevista para a próxima semana,

conforme informação divulgada pelo g1

Motivos da rejeição irlandesa

O vice-primeiro-ministro Simon Harris deixou clara a posição do governo, citando que as concessões negociadas pela Comissão não atendem às exigências dos cidadãos.

Em comunicado, Harris afirmou, “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”.

Ele reforçou a determinação do país com a frase, “Votaremos contra o acordo”, apontando que medidas adicionais oferecidas pela UE ainda não são suficientes.

Harris também destacou, “Infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos”, conforme declaração divulgada publicamente.

Próximos passos no processo europeu

O calendário prevê que o Conselho da UE vote sobre o texto do tratado na sexta-feira, decisão que pode autorizar a assinatura nas instâncias seguintes.

Segundo a cobertura, “O Conselho da UE poderá aprovar na sexta-feira (9) o acordo comercial negociado desde 1999, apesar da resistência de alguns Estados-membros. Com isso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ficaria autorizada a assiná-lo na segunda-feira (12).”

Mesmo com a oposição de quatro países, analistas esperam que a Comissão ainda consiga maioria entre os 27 Estados-membros, embora a disputa deixe claro o desgaste político do processo.

Impacto no setor agrícola e reações

O pacote de liberalização preocupa agricultores europeus, que temem um aumento das importações de produtos sul-americanos, especialmente carne, arroz, mel e soja.

Fontes citam que a abertura incluiria troca por exportações europeias de veículos e máquinas, o que provoca debates sobre ganhos industriais versus perdas no campo.

Protestos de setores agrícolas já ocorrem, com bloqueios e mobilizações na França, refletindo a resistência social ao acordo e a incerteza sobre mecanismos de proteção prometidos pela Comissão.

Com a votação iminente, a decisão da Irlanda se soma a um cenário em que o futuro do acordo UE-Mercosul dependerá de negociações políticas de última hora e da capacidade da Comissão em convencer Estados-membros e opinião pública.

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