Israel ameaça barrar 37 ONGs em Gaza, MSF alerta que cuidados vitais em risco, prazo para dados de funcionários vence à meia-noite de 1º de janeiro

Prazo para 37 ONGs em Gaza enviar listas de funcionários palestinos termina à meia-noite, medida pode interromper entrega de alimentos e assistência médica a centenas de milhares

Autoridades israelenses deram prazo final até a noite de ano novo para que organizações internacionais entreguem listas de funcionários palestinos, sob risco de ter suas licenças revogadas.

Organizações humanitárias, entre elas a Médicos Sem Fronteiras, afirmam que a medida pode paralisar o fluxo de ajuda em Gaza e na Cisjordânia e colocar em risco serviços essenciais no próximo ano.

O anúncio, que atinge 37 ONGs, gerou alertas sobre colapso na entrega de alimentos, abrigo e cuidados de saúde vitais, conforme informação divulgada pelo g1.

O que Israel exige e a justificativa oficial

O governo de Israel informou que vai revogar licenças de organizações que não enviem listas com dados de funcionários palestinos até 1º de janeiro, alegando que novas regras buscam impedir que terroristas explorem a ajuda internacional.

O porta-voz Gilad Zwick disse que, segundo as autoridades, algumas organizações se recusam a enviar listas por suposto envolvimento de funcionários com o Hamas, e afirmou, “Duvido que o que não fizeram durante dez meses o façam em menos de doze horas”.

Entre as ONGs ameaçadas estão nomes reconhecidos globalmente, como MSF, Oxfam, CARE e World Vision International, o que elevou a preocupação sobre o impacto operacional em áreas já devastadas.

Riscos para a assistência humanitária e efeitos no cotidiano

A Médicos Sem Fronteiras fez um apelo para manter operações na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, alertando que a medida impactará “cuidados de saúde vitais” para centenas de milhares em 2026.

O corte ou a paralisação das atividades logísticas e médicas pode comprometer atendimento em hospitais, distribuição de alimentos e assistência a deslocados, justamente quando o território enfrenta o inverno e danos a abrigos.

Analistas citam que o acordo de cessar-fogo firmado em outubro previa a entrada de 600 caminhões diários com suprimentos, entretanto, estimativas apontam que apenas entre 100 e 300 têm cruzado a fronteira, agravando a escassez.

Reações internacionais e implicações legais

Nove países, incluindo Reino Unido e França, e posteriormente a Suíça, emitiram comunicados manifestando preocupação e pedindo que Israel não impeça o trabalho das ONGs diante da situação humanitária.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a suspensão das agências como “ultrajante” e afirmou, “Relembro às autoridades israelenses sua obrigação, segundo o direito internacional, de garantir o fornecimento de itens essenciais à vida diária em Gaza, inclusive permitindo e facilitando a ajuda humanitária”.

Hadja Lahbib, autoridade da União Europeia para questões humanitárias, criticou as novas exigências, dizendo que a lei de registro atual bloqueia a chegada de “ajuda vital” à população, e ressaltou que o Direito Internacional Humanitário não deixa margem para dúvidas sobre a necessidade de assistência chegar a quem precisa.

O prazo final e o que vem a seguir

O prazo imposto por Israel expira à meia-noite de 1º de janeiro. Caso a proibição se confirme, organizações alertam que o envio de alimentos e assistência médica será gravemente comprometido em todo o território devastado.

Com cerca de 1,3 milhão de pessoas precisando de apoio urgente para alojamento e moradia, agências e governos monitoram o desfecho, enquanto a comunidade internacional pressiona por garantias de acesso humanitário sem entraves.

Fontes e declarações citadas, em especial sobre prazos, citações e listas de ONGs afetadas, foram divulgadas pelo g1.